ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 24/01/2021

Segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) de 2017, cerca de 11,5 milhões de brasileiros têm depressão. Tal índice alarmante caracteriza um cenário de estigmatização acerca de doenças mentais no Brasil. Esse problema é oriundo da negligência da população no que tange a óbices não físicos. Ademais, a principal consequência desse fato é a dificuldade no convívio social por parte desses seres.

Em primeiro plano, depreende-se que a manutenção do pensamento que associa a gravidade da condição à exibição física de danos é a principal causa da estigmatização mencionada. Isso ocorre pois as doenças que só apresentam “marcas” psicológicas são tratadas como falsas e performáticas pelos brasileiros. Segundo o conceito de banalidade do mal, discutido pela socióloga Hannah Arendt, quando atitudes depreceativas ocorrem de maneira constante, elas passam a ser classificadas como ordinárias. Nesse viés, infere-se que a naturalização desse preconceito social acarreta na diminuição da busca por tratamento médico, pelo medo da discriminação.

Em segundo plano, denota-se que, por esse preconceito agravar quadros psíquicos, na medida em que diminui a busca por ajuda médica, ele fomenta a dificuldade no convívio social. À luz disso, cita-se uma personagem da série televisiva “Glee”, que é diagnosticada com Transtorno Obsessivo Compulsivo. Essa figura, por medo de ser vista como doente, não procura auxílio psíquico e tenta administrar o transtorno sozinha, ausentando-se de atividades de lazer e de interação social. Dessa maneira, em situação análoga à ficção, infere-se que muitos brasileiros se isolam da sociedade em virtude da doença, fato que dificulta o exercício da cidadania.

Em suma, medidas devem ser tomadas para reverter esse cenário. Para tanto, com o fito de diminuir o estigma associado à doenças mentais entre a população brasileira, o Ministério da Saúde deverá realizar uma campanha de conscientização. Essa ação ocorrerá por meio de uma propaganda televisiva que explicite a necessidade de discutir sobre os transtornos mentais. Tal campanha será disseminada nos principais canais televisivos, em horário nobre. Desse modo, situações como as retratadas em “Glee” deixarão de ocorrer no Brasil.