ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 19/01/2021
Na série “Os 13 porquês”, Hannah passa por diversas situações difíceis, como bullying e estupro, o que a leva à depressão e, consequentemente ao suicídio. Dessa forma, por inúmeras vezes, a menina dá sinais claros de que está mentalmente abalada, mas as pessoas ao seu redor não dão devida atenção ao problema, ocasionando assim, a morte. Nesse sentido, no Brasil, casos como este estão cada vez mais frequentes, pois o preconceito associado às doenças mentais está enraizado na sociedade, porque há pouco diálogo sobre o assunto e falta políticas públicas para o tratamento de tais enfermidades. Por isso, tal estigma deve ser combatido para melhor gestão da saúde mental no país.
Primeiramente, sabe-se que a ausência do diálogo sobre as doenças mentais é um impasse a ser resolvido. De acordo com a obra “Sociedade do Espetáculo” de Guy Debord, só recebe atenção da população aquilo que é exposto nas mídias sociais. Nessa lógica, as mídias não abrem discussão sobre as enfermidades mentais, e por essa razão, as pessoas não querem dialogar sobre o tema, gerando o julgamento precoce. No entanto, a falta desse diálogo faz com que os portadores dessas doenças não busquem ajuda, porque creem que não é necessário, porém, isso acarreta a piora dos quadros dos distúrbios psicológicos, o que é demasiadamente preocupante. Sendo assim, é notório que a conversa sobre o assunto é essencial para o combate ao estigma associado à tais problemas.
Ademais, a falta de políticas públicas para o tratamento das doenças mentais contribui para a persitência do preconceito. No filme “Coringa”, Arthur sofre de alguns distúrbios mentais e sua terapia é paga pelo governo até um certo período. Destarte, quando o benefício acabou, o problema se agravou e ele se tornou um dos maiores criminosos de sua cidade. Analogamente, no Brasil há deficiência nas políticas voltadas para tratamentos psicológicos, o que, consequentemente, contribui para o pré-julgamento dos enfermos, pois a população acha que eles não querem receber ajuda, sendo que, muitas vezes, é apenas falta de dinheiro para custear uma terapia. Posto isso, vê-se a urgência de incentivo financeiro governamental para minimizar os impactos do julgamento precoce da sociedade.
Logo, medidas devem ser tomadas para amenizar o impasse do estigma associado às doenças psicológicas. Nesse prisma, o Ministério da Saúde (MS) -responsável pela gestão dos sistemas de saúde- deve criar um programa informativo sobre enfermidades mentais, por meio das mídias, a fim de incentivar o diálogo sobre o tema e diminuir o preconceito. Também o MS deve investir em tratamentos psicológicos pelo Sistema Único de Saúde, com o fito de todos os enfermos terem acesso e minimizar o número de suicídios e crimes cometidos no país. Assim, o estigma ligado às doenças mentais, enraizado na sociedade brasileira, será combatido.