ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 19/01/2021
Em sua obra “O Cidadão de Papel”, o escritor brasileiro Gilberto Dimeistein disserta que embora o país apresente um conjunto de leis bastante consistente, elas se atêm, de forma geral ao plano teórico. A conjuntura dessa análise configura-se no Brasil atual, haja vista que, apesar da saúde ser constitucionalmente garantida, o estigma associado às doenças mentais mostra que esse direito não se encontra efetivado. Esse cenário nefasto ocorre não só em razão do preconceito mas também devido a falhas governamentais.
Em uma primeira análise, e ponto fundamental do preconceito como causa da banalidade das doenças mentais. Isso é evidenciado na série “Os 13 Porques” disponível na Netiflix, onde um personagem Hanah Backer, com depressão procura a direção de sua escola com a intenção de obter ajuda, mas é ignorada, e sem perspectivas de solução comete suícidio. Fora da ficção, realidade essa é vivenciada por muitos. Diante de tal exposto, o medo de não ser compreendido, impedir muitas pessoas de procurarem ajuda. Logo, é inadmissível que esse cenário perdure.
Ademais, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais na questão de informar sobre a gravidade das doenças mentais e oferecer tratamento eficiente aos doentes. Nesse sentido, pessoas acometidas por doenças psicológicas continuam sofrendo com o preconceito e a falta de tratamento, ocasionando um aumento nas taxas de pessoas doentes e os índices de suícidio. Essa conjuntura, segundo os ideais do filósofo contratualista Jonh Locke configura-se como uma violação do “contrato social” já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis como a saúde, o que infelizmente é evidente no país.
Depreede-se portanto, a necessidade de combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Estado, por intermédio do Ministério da Saúde e o Ministério da Economia crie projeto de lei que destine mais verbas ao Sistema Único de Saúde, para que o mesmo promova campanhas de conscientização e ofereça de forma gratuita, acesso a psicológos, psiquiatras e demais profissionais necessários, a fim de que os cidadãos tenham um tratamento qualificado e o número de doentes seja reduzido. Assim, se consolidará uma sociedade mais igualitária, na qual o Estado cumpre sua função social, tal como afirma Jonh Locke.