ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 16/02/2021
No filme “Coringa”, após a interrupção da oferta de medicamentos e de consultas, é notória a piora drástica do transtorno psíquico de Arthur. Nesse sentido, nota-se que, no Brasil contemporâneo, a saúde mental também é negligenciada, visto que o desconhecimento por parte do corpo social e a discriminação ameaçam o bem-estar dos indivíduos vulneráveis psicologicamente. Diante disso, a redução do ser humano ao aspecto biológico e o preconceito representam fatores que atuam na perpetuação dessa problemática.
É importante ressaltar, em primeiro plano, que a abordagem apenas fisiológica da condição médica das pessoas fortalece esse cenário nocivo. Sob essa ótica, segundo a integralidade de assistência, princípio do Sistema Único de Saúde (SUS) destacado na lei 8080/1990, a saúde diz respeito não só à ausência de dor física, mas também considera o bem-estar social indispensável. Entretanto, grande parte da população desconhece esse conceito amplo descrito na legislação, dado que somente os desconfortos físicos são legitimados e tratados. Desse modo, há uma redução da qualidade de vida dos indivíduos, pois esses não receberam instrução para identificar problemas oriundos do âmbito psíquico.
Ademais, vale destacar a discriminação existente na sociedade brasileira. Nesse viés, no filme “Se enlouquecer, não se apaixone” é evidenciado o medo que Sam possui de contar aos seus amigos que está realizando tratamento para ajudá-lo a recuperar a sua saúde psicológica. Tendo isso em vista, constata-se que, devido à concepção limitada de saúde, os sujeitos que têm transtornos mentais são considerados “loucos”. Dessa maneira, grande parte dessa parcela não procura auxílio profissional pelo receio de ser excluída socialmente e de ser julgada, o que impede a concretização do princípio do SUS.
Portanto, é imprescindível a adoção de medidas a fim de otimizar a saúde mental dos brasileiros. Para tanto, com o objetivo de fornecer informação e de eliminar o preconceito, cabe ao Ministério da Educação estabelecer, por meio da reformulação da Base Nacional Comum Curricular, a obrigatoriedade de as escolas incluírem em sua programação educacional o debate a respeito das doenças mentais. Tal temática deverá ser inserida na disciplina de Biologia, sendo que o conteúdo ministrado será desenvolvido por psicólogos. Assim, o Estado atuará na proteção dos cidadãos e a vivência degradante de Arthur não será experienciada por nenhum habitante do país.