ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 19/01/2021

Na série " Gambito da Rainha", uma jovem prodígio presenciou a cena de suicídio de sua mãe, se tornando orfã, e passou a ser medicada com tranquilizantes no orfanato, fatores que desencadearam em abuso de narcóticos e grande instabilidade emocional na enxadrista, ao sofrer um grande trauma que é negligenciado. Mesmo que a série retrate a sociedade americana durante a Guerra Fria, infelizmente, a negligência e desnaturalização perante as doenças mentais ainda são generalizadas no Brasil, gerando uma estigmatização que é potencializada pela internet.

Essa desnaturalização no país se expressa cotidianamente no meio social, através do receio de frequentar consultas com profissionais terapeutas, ou pela crença que a doença mental indica fraqueza e frescura. Isso ocorre pois há um " tipo ideal " do que é natural, termo de Max Weber, que explica uma construção social, uma série de características, que nesse caso, sintetizam o que é normal e aceito pela comunidade, e qualquer individuo que fuja desse padrão é automaticamente estigmatizado.

Embora o processo de estigmatização ocorra em todos os meios sociais, é na internet que ele encontra o seu catalizador. Isso se deve ao fato de que nas grandes plataformas como Facebook e Instagram, a vida dos internatutas é exposta de maneira idealizada, recortando e expondo o que se acredita ser agradável, e consequentemente, afastando qualquer índicio de infelicidade e depressão. Dessa forma, cria-se um ambiente caricata, que induz a falta de inclusão e demonstração da realidade.

Conclui-se, portanto, a necessidade urgente de naturalização das doenças mentais, e do estímulo ao cuidado da saúde emocional, criando para esse fim, campanhas informativas com vídeos e banners didáticos, publicados justamente nas redes sociais do Ministério da Saúde e da Educação, com o auxílio de “influencers” brasileiros que possam narrar suas próprias experiências e dificuldades emocionais . Com isso, a internet se tornaria um espaço mais inclusivo, o qual combateria a estigmatização, ao invés de alimentar-la.