ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 27/01/2021
Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, afirmava que a sociedade que se esquece da arte de questionar dificilmente irá encontrar soluções para os problemas que a aflige. Nesse viés, discussões acerca dos entraves vinculados às doenças mentais ocorrem no Brasil para sanar a mazela. Isso é relevante, visto que a Constituição Federal de 1988 prevê, em seu Artigo 6º, o direito à saúde, no entanto, observa-se que, na contemporaneidade tal benefício não é assegurado à coletividade pelo Estado. Dentre os principais desafios para a solução desse impasse, destacam-se os efeitos da violência simbólica e a propagação de estereótipos pela mídia. Logo, é necessário elaborar medidas com o intuito de alterar essa conjuntura negativa.
Diante desse cenário, sabe-se que um dos fatores que ampliam a mazela é a conduta social. Esse fato acontece, pois, conforme o filósofo Pierre Bourdieu, a chamada ‘‘Violência Simbólica’’ consiste nas agressões sem coação física que são capazes de alterar a saúde mental das pessoas, seja por meio de críticas, seja por meio de humilhações. Nesse contexto, ao verificar a recorrência de pessoas desenvolvendo transtornos, nota-se, na prática, as evidências dessa preocupante forma de violência. Por conseguinte, o bem-estar da coletividade se torna ameaçado, em virtude dos indivíduos que realizam atitudes inconsequentes e das pessoas que sofrem por não saberem como reagir.
Ademais, outra importante questão que permite a problemática é a criação de estereótipos pela mídia. Isso ocorre, porque, segundo a Escola de Frankfurt, a ‘‘Indústria Cultural’’ se configura pelo papel que os meios de comunicação possuem de criar condutas a serem seguidas pela população, a fim de tornar a sociedade homogênea. Nesse panorama, percebe-se que muitas pessoas desenvolvem traumas quando não conseguem reproduzir tais propostas, a exemplo de produtos e serviços.Dessa forma, a propensão de doenças mentais, como a depressão e a ansiedade, se tornam recorrentes no país.
É essencial, portanto, providências, cujo objetivo seja mudar esse lastimável quadro. Assim, ONGs humanitárias, por serem um importante fator de mobilização sozial, devem se manifestar nas ruas e nas redes sociais, por meio de campanhas publicítárias, conduzidas especificamente por psicólogos, a fim de alertar a população sobre os malefícios da violência simbólica, para gerar qualidade de vida à população. Outrossim, o Estado, crucial para garantir o bem-estar social, por intermédio de uma melhor distribuição do PIB, precisa assegurar, na prática, o Artigo 6º da Constituição, e promover saúde à população, para findar o estigma no Brasil. Feito isso, a mazela será sanada.