ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 19/01/2021

A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê, em seu artigo 6°, a saúde como direito inerente a todos os cidadãos. Entretanto, tal prerrogativa não tem se repercutido na realidade quando se analisa o estigma associado às doenças mentais. Nesse sentido, faz se necessário a análise dos fatores que contribuem com essa problemática.

Em primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de projetos governamentais relacionados às doenças mentais. Nesse viés, percebe-se que as pessoas que possuem problemas psicológicos não recebem os cuidados necessários para o tratamento da doença, por consequência, o caso clínico desses indivíduos se agrava, ocasionando em consequências irreversíveis para eles, como, por exemplo, o suicídio. Diante de tal fato, é notório que o Estado não exerce o “Contrato Social”, descrito pelo filósofo iluminista John Locke, pois, não oferece o direito à saúde aos doentes mentais. É inaceitável que o governo continue banalizando essa problemática atual.

Ademais, é evidente que os preconceitos associados às doenças mentais estão diluídos na sociedade brasileira. Outrossim, de acordo com a filósofa francesa Simone de Beauvoir, “o escândalo mais escandaloso é que nos habituamos a eles”. Nessa perspectiva, percebe-se que tal afirmação se relaciona com os estigmas associados aos problemas mentais, que são resultados da falta de informação sobre o assunto, pois, o corpo social brasileiro normaliza os preconceitos relacionados aos doentes mentais. Esse fato prejudica a identificação e tratamento dos doentes.

Depreende-se, portanto, que medidas devem ser tomadas para solucionar o problema. Logo, o Ministério da Saúde, órgão responsável pela saúde no país, deve oferecer informações sobre as doenças mentais por meio de materiais online e palestras com a comunidade, a fim de informar a população sobre essas doenças para que os estigmas associados aos problemas mentais diminuam. Desse modo, os indivíduos acometidos por doenças psicológicas vão desfrutar, de forma efetiva, o direito à saúde garantido pela Constituição Federal.