ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 19/01/2021

A obra literária de Jay Asher, “Os 13 porquês”, narra a história da jovem Hanna Baker, que cometeu suicídio após ter sua saúde mental totalmente fragilizada, devido as situações de preconceito, bullying e violência na comunidade escolar. De maneira análoga, observa-se que, na contemporaneidade, esse estigma associado às doenças mentais ainda vigora na sociedade brasileira, devido a problemas como a negligência legislativa e a falta de apoio nas escolas.

Diante desse cenário, é notória a ineficácia das leis no Brasil. Nessa perspectiva, de acordo com o jornalista Gilberto Dimenstein, “os direitos constitucionais residem tão somente na teoria”. Desta forma, mesmo que a saúde seja um direito de todo cidadão, garantido pelo 6º artigo da Constituição Federal, não está sendo realizado na prática. É indubitável que a parcela da sociedade que é marginalizada, não possui fácil acesso a psicólogos e psiquiatras, por estarem distantes e até excluídos do centro das metrópoles. Deste modo, parte do grupo social não tem contato com a terapia e acompanhamento médico, intensificando a problemática, tornando a saúde mental um privilégio.

Outrossim, o diálogo escasso e a falta de auxílio das escolas se tornam outros obstáculos. Nesse horizonte, segundo o médico brasileiro Dráuzio Varella, “se não quiser adoecer, fale dos seus sentimentos”. Seguindo esse pensamento, nota-se que a baixa frequência ou até inexistência de psicólogos no ambiente escolar corroboram para a permanência do estigma supracitado. Assim, estudantes que sofrem bullying e outras violências, como a personagem Hanna, não encontram abertura e espaço no ambiente escolar para poder desabafar e conversar sobre as feridas mentais criadas. Por fim, fazendo com que os alunos adoeçam psicologicamente.

Urge, portanto, a necessidade de intervenções para diminuir esses empecilhos. Logo, cabe ao Governo Federal, juntamente com o Ministério da Saúde, o aumento do número de psicólogos nas comunidades, sendo diretamente proporcionais a sua população, com o intuito de tornar o acesso à terapia e acompanhamento psicológico mais fácil e rápido aos moradores. Além da inserção desses mesmos profissionais nas instituições escolares públicas, possibilitando aos alunos o acesso direto e gratuito aos auxílios e amparo médico. Por conseguinte, espera-se que, futuramente, a sociedade se apresente diferente à do livro de Jay, sendo mais justa, livre e igualitária.