ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 19/01/2021
Na capa do seu álbum de 2018 “Ye”, o rapper Kanye West trás uma frase autodescritiva: “odeio ser bipolar, eu amo isso”. Diagnosticado com o transtorno bipolar, Kanye apresenta sua genealidade através de sua música mostrando que o preconceito existente, com pessoas que também possuem o transtorno, é infundado. No Brasil, o estigma associado as doenças mentais na sociedade se dá pela ignorância social sobre o assunto e ausência de apoio estatal, fazendo-se necessária discussão sobre a problemática.
Em primeiro plano, é importante ressaltar que, desde a Grécia Antiga, a parte da população portadora de alguma doença mental era marcada com ferro em brasa e marginalizada de convivência social. Desse modo, é perceptível que no Brasil a cultura estigmatizada da inferioridade das pessoas que possuem alguma doença mental, perpassou por toda a sua história, se fazendo presente quando a doutora Nize da Silveira começou a atuar. No longa-metragem Nize, o retrato de uma das primeiras médicas do país, se dá por seu trabalho humanizador em uma clínica psiquiátrica, na qual, através da arte, insere seus pacientes na sociedade, mostrando que eles não são diferentes.
Outrossim, a ausência de apoio estatal também corrobora com a persistência desse rótulo. Doenças mentais como depressão, ansiedade e transtorno bipolar, são pouco discutidas pela sociedade e governantes, o que gera falta de apoio aos familiares e pacientes. Com isso, o contrato social, fundamentado pelo filósofo John Locke, não é cumprido, tendo em vista que o Estado não ampara as famílias ou realiza trabalho de conscientização social, para que a população tenha acesso à informações verídicas sobre essa parte da sociedade.
Depreende-se, portanto, medidas interventivas para amenizar a problemática. Para isso, cabe ao Ministério da Cidadania e Direitos Humanos, como provedor do bem-estar social, a promoção de uma ação humanitária em conjunto com psiquiatras e professores de artes. Por meio de verbas governamentais, aulas de artes, música e escrita, devem ser implementadas em clínicas psiquiátricas e instituições destinadas a cuidados com a saúde mental, com fito de inserir pessoas que possuem alguma doença mental, nas atividades básicas de socialização. Assim, será demonstrando para o resto da sociedade o seu valor enquanto cidadão, além de dar continuidade ao trabalho de Nize.