ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 19/01/2021
Em meados do século XX, o escritor austríaco Stefan Zweig fugiu de seu país sob ameaça nazista, e encontrou refúgio no território canarinho. Impressionado com o potencial da nova casa, escreveu uma obra literária intitulada “Brasil, país do futuro”. No entanto, quando se observa o estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira, verifica-se que o ideário exposto por Stefan não saiu do papel. Dessarte, essa realidade deve-se, essencialmente, à negligência estatal e à falta de ativismo social.
Diante desse cenário, a Constituição Federal de 1988, concebida por meio do processo de redemocratização, prevê, como garantia fundamental, o combate ao que possa ferir a liberdade individual, como é o caso da discriminação em função das doenças mentais, latente no corpo social. Todavia, o próprio Poder Estatal, por falta de políticas públicas, fere a legislação. Consoante a isso, o Ministério da Saúde não promove, de maneira efetiva, a propagação de informações acerca da necessidade de promover a ruptura desse estigma excludente e maléfico ao bem-estar da coletividade. Desse modo, percebe-se que a inércia estatal representa um dos porquês do problema.
Ademais, o rompimento efetivo do estigma associado às doenças mentais é utópico em um país que a falta de empatia é a regra. Nesse sentido, a temática relaciona-se à cegueira moral, fenômeno exposto na obra “Ensaio sobre Cegueira” de José Saramago, que retrata o individualismo contemporâneo como o pilar dos preconceitos sociais. Tal fato pode ser exemplificado no descaso social frente à realidade vivenciada por portadores de transtornos mentais, uma vez que suas dificuldades são associadas à “frescura”, como foi o caso do jovem norte-americano Mike Emme, que acabou cometendo suicídio e motivou as campanhas do “Setembro Amarelo”. Diante desse descaso coletivo, o indivíduo torna-se vulnerável a mais problemas, o que prejudica a harmonia social.
Isto posto, é imperioso a promoção de ONGs (Organizações não governamentais) para a resolução do impasse. Para tanto, o Instituto Ethos, aliado ao “Akatu” (Associações destinadas à concepção de uma comunidade sem conflitos), devem pressionar o Poder Executivo, por meio de campanhas nas redes sociais, exigindo que ocorram palestras educacionais sobre a necessidade de promover uma ruptura desse estigma tão prejudicial à plena vivência da cidadania de portadores de transtornos mentais, de modo que ocorra a massificação do tema na coletividade, além de uma conscientização social e uma diminuição no número de casos desse preconceito. Assim, a ideia de Zweig deixará de ser ficção e, finalmente, será efetivada.