ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 19/01/2021

No final do século XIX, o médico Sigmund Freud começou uma corrente na medicina que impactaria na sociedade futura: a psicanálise. No Brasil, assim como naquela época, a saúde mental está em pauta, pois sua desconsideração pode gerar sérias cicatrizes. Tal problemática tem a fragilidade do senso comum como causa e a alienação da cidadania como consquência.

Primeiramente, deve-se analisar a relação entre a displicência coletiva e a saúde mental. Nesse contexto, Segundo Imannuel Kant, uma democracia direta pode ficar cega para assuntos que não são pauta principal na moral comum. Analogamente, a necessidade de olhar para a saúde mental tangencia a perspectiva kantiana, uma vez que, do ponto de vista crítico – com o ônus da Carta dos Direitos Humanos, que prevê saúde como direito básico – esse assunto tem relevância especial, mas, do ponto de vista comum, são raras as discussões cotidianas que buscam alternativas contra a problemática. Logo, a coletividade, assim como o poder público, devem moldar sua postura, a partir da busca por informações pertinentes ao tema.

Em segundo plano, a diminuição da cidadania, pela alienação do direito à saúde, pode ser abordada. Conforme a Constituição Federal Brasileira, é necessário que todos os cidadãos tenham acesso à saúde e, considerando a perspectiva de Jurgen Habermas para a cidadania – em que a manutenção cidadã se dá pela interação e proteção do Estado – o brasileiro que não tiver sua saúde mental mantida pelo Governo tem sua cidadania ameaçada tanto no âmbito jurídico, quanto filosófico. Assim, a atuação estatal para com a manutenção da saúde mental dos brasileiros é de suma importância para a consolidação dos direitos e da cidadania.

Portanto, é notável a necessidade de se pensar na saúde mental dos brasileiros. Para tal, o Ministério da Educação e o terceiro setor devem disseminar informações, por meio da distribuição de cartilhas que possam esclarecer a importância de discutir e analisar a saúde mental. Isso deve ser feito em locais públicos, como escolas e hospitais. Desse modo, a fragilidade do senso comum será atenuada e, consequentemente, a integralização constitucional estará mais próxima da realidade brasileira.