ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 19/01/2021

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, marcada pela ausência de problemas e conflitos. Entretanto, no Brasil atual, nota-se uma população caracterizada por graves cicatrizes e marcas que comprometem a saúde mental das pessoas. Isto posto, ressalta-se que o crítico sistema de saúde pública e a falta de engajamento da sociedade cooperam para o impasse. Assim, faz-se necessário uma ação integrada entre o Estado e a comunidade civil no sentido de reverter o quadro.

De início, é inteligível que as falhas governamentais contribuem para o continuismo desse quadro alarmante. Segundo a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 6º, o direito à saúde é inerente a todo cidadão brasileiro. De forma descontínua, o precário atendimento médico da rede pública e o escasso número de psicólogos e psiquiatras disponíveis em unidades básicas são fatores que dificultam o diagnóstico e o tratamento de pessoas com doenças mentais, principalmente, em periferias. Destarte, a indiferença do Estado frente a esse lamentável cenário de precariedades é uma das marcas mais comprometedoras para o adoecimento mental da sociedade brasileira.

Ademais, a ausência de pressão por parte do corpo social para com o sistema público de saúde colabora para a permanência do impasse. O sociólogo Émile Durkheim relata que a sociedade pode ser comparada a um “corpo biológico” por, assim como o próprio organismo, apresentar partes que interagem entre si. Contudo, na atualidade, a população brasileira não coopera para o tratamento de pessoas com doenças mentais, uma vez que não cobram recursos médicos para o Estado, rotulam transtornos mentais como “bobagem” ou, muitas vezes, não oferecem oportunidades de inserção social para esses cidadãos. Dessa forma, a inécia e o preconceito da comunidade nacional implicará, também, no mal desenvolvimento da nação.

Urge, portanto, a adoção de medidas que amenizem o estigma associado às doenças mentais no Brasil. Para isso, cabe ao Ministério da Saúde promover maior investimento em ofinas terapêuticas, por meio da construção de Centros de Assistência Psicossiais (CAPS) em áreas mais probres do país. Cita-se, por exemplo, as oficinas expressivas com a participação da comunidade civil, a fim de trabalhar as funções cognitivas, a expressão do paciente e reinseri-lo socialmente. Assim, será mitigado o número de cicatrizes que comprometem a saúde mental da população brasileira, a nação viverá em consonância com a Carta Magna vigente e fará jús a teoria do sociólogo Émile Durkheim.