ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 19/01/2021
O livro “Fale”, da escritora estadunidense Laurie Halse Anderson, retrata Melinda, uma jovem que sofre transtornos mentais como ansiedade e depressão. Conquanto, os pais da menina se recusam a buscar auxílio e afirmam que ela só quer “chamar atenção”. Nesse âmbito, tem-se que o preconceito contra pessoas que sofrem de doenças psicológicas é uma realidade no Brasil, em decorrência da negligência social em relação ao assunto, e pode gerar graves consequências às vidas dos portadores. De início, é importante salientar que mais de 11,5 milhões de brasileiros, segundo a Organização Mundial da Saúde, sofrem de depressão, uma séria doença mental. No entanto, as discussões sobre a questão por parte das instituições formadoras de opinião, como a escola e a sociedade em si, e até mesmo as campanhas midiáticas, se concentram majoritariamente no mês de setembro, dedicado à prevenção do suicídio. Diante dessa falta de aprendizado e discussão sobre o tema, as pessoas se tornam ignorantes sobre a seriedade dos transtornos mentais e passam a reproduzir comportamentos preconceituosos.
Sob essa ótica, a intolerância social contra portadores de transtornos psicológicos pode gerar fortes impactos negativos em suas vidas, como a vergonha da condição e a falta de incentivo à busca de tratamento adequado. Nesse contexto, sabe-se que, quando não forem devidamente tratadas, as doenças mentais podem acabar totalmente com a qualidade de vida do portador ou a sua capacidade de interação social, segundo uma postagem do médico Drauzio Varella em seu blog oficial. Diante disso, se a Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulgada pela ONU em 1948, garante a todos os indivíduos o direito à saúde, tanto física quanto mental, medidas urgentes fazem-se necessárias frente à problemática.
Infere-se, portanto que os estigmas relacionado às doenças psicológicas surgem a partir da desinformação sobre o tema. Diante disso cabe ao ministério da Saúde combater a ignorância, por meio da promoção de debates e palestras nas escolas sobre a importância da saúde mental e ações midiáticas na televisão e nas redes sociais, como Facebook e Instagram, ao longo de todo o ano, com o objetivo de trazer conhecimento e minimizar o preconceito. Com isso, a realidade dos brasileiros se distanciará da personagem de Laurie Halse Anderson.