ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 19/01/2021
A obra ‘‘Cemitérios dos Vivos’’, do autor pré-modernista Lima Barreto, retrata uma sociedade marcada por esteriótipos e critica os seletivos diagnósticos de loucura. Longe das folhas, o livro é uma analogia à vida de milhares de brasileiros que sofrem atos pejorativos, devido ao preconceito em relação às doenças psíquicas, presente no âmago da população. Nesse contexto, o estigma associado às doenças mentais reflete o caráter capacitista dos cidadãos e, ainda, fere a integridade dos acometidos. Assim, a população agredida por situações preconceituosas urge por uma comunidade mais inclusiva e por políticas públicas que visem atenuar a condição das vítimas.
Em uma primeira perspectiva, a manutenção de uma sociedade que ridiculariza deficiências, dentre elas as mentais, contribui para o agravamento dos esteriótipos. Nesse âmbito, o comediante Dih Lopes, em um ‘’espetáculo’’ realizado em 2019, proferiu piadas de cunho capacitista, de modo a desrespeitar as vítimas e alimentar um sistema preconceituoso existente no Brasil. Dentro desse panorama, a constante prática de falas pejorativas dirigidas aos doentes mentais impede, execravelmente, o combate à marginalização dos transtornos psiquiátricos e piora os casos patológicos preexistentes, uma vez incentiva a instabilidade emocional das vítimas. Evidencia-se, portanto, que são necessárias medidas que busquem criminalizar atos preconceituosos.
Para além disso, o contínuo desrespeito agrava, ainda mais, os quadros psiquiátricos clínicos, já que fragiliza a integridade da população afetada. Frente aos agravamentos, o portal G1 afirma que mais de 10% dos brasileiros sofrem de depressão, de modo a serem impulsionados, drasticamente, pelo despreparo estatal e comunitário em prestar o devido às vítimas. Em vista disso, as feridas geradas no âmago dos depressivos pela incopetência social mostra a ineficiência governamental em promover uma realidade que favoreça a busca por plenas condições de saúde mental para a população, haja vista que, segundo a Constituição federal de 1988, é dever do governo prover o bem-estar aos cidadãos.
Diante do exposto, são necessárias políticas para reverter o preconceito em relação às doenças mentais. Para tanto, a câmara de deputados, responsável por elaborar as prerrogativas legislativas do Estado, deverá criminalizar ofensas de viés preconceituoso e capacitista, de modo a proporcionar punições aos agressores e proteção aos ofendidos, que serão viabilizadas pela implementação de uma emenda contra atos pejorativos na Carta Magna. Como resultado direto, inúmeros cidadãos que forem agredidos receberão amparo judicial e melhores condições de respeito e de inclusão, só assim a sociedade marcada por esteriótipos, como na obra de Lima Barreto, poderá ser superada.