ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 19/01/2021
Em Soul, animação produzida pela Pixar, é mostrado como, ficcionalmente, as almas são criadas até chegarem ao planeta terra. Entretanto, há um espaço neste lugar onde “almas perdidas” vagam sem rumo, pois precisam de ajuda para sair desta situação. Infelizmente, o mesmo acontece fora da ficção, pessoas com alguma doença psicológica necessitam de tratamento adequado para solucionar tal questão. Porém, a problemática se intensifica com o desleixo do Estado em relação a saúde mental dos brasileiros, o que corrobora para a perpetuação de estigmas e preconceitos em sociedade. Visivelmente, o bem-estar psicológico dos brasileiros é negligenciado, e o acesso à assistência especializada dificultada pelo Governo. Uma vez que, segundo a OMS, Organização Mundial da Saúde, o Brasil é um dos países que menos investe em saúde mental no mundo, e consequentemente, é o país mais depressivo da América Latina. Tal situação evidência o quão estrutural e significativa, inclusive potencialmente danosa, é a ação do Estado perante a problemática.
Outro fator responsável pela manutenção dos estigmas em sociedade é o preconceito sofrido por quem busca ajuda psicológica. Segundo o Grupo Reinserir – rede de psicólogos cujo objetivo é fornecer atendimentos com custos menores para pessoas de baixa renda, a fim de tornar mais acessível a assistência psíquica -, o senso comum taxa o individuo que procura ajuda psicológica como “louco” e passa a segrega-lo socialmente. Desse modo, o hiato entre a melhora da saúde mental dos brasileiros e a situação atual, lamentavelmente, cresce cada vez mais.
Diante do apresentado, é notável a necessidade de buscar caminhos preventivos e propulsores de uma saúde mental de qualidade aos brasileiros. Logo, se faz necessário parceria entre Estado e Sociedade, para que os estigmas e a problemática sejam superados, através de ações que promovam a melhoria e o debate da saúde mental em sociedade, como por exemplo, a ampliação de consultórios e profissionais especializados nos postos de atendimento do Sistema Único de Saúde, o SUS. Dessa forma, as “almas perdidas” ficarão somente no mundo da ficção, e o mundo real certamente será melhor.