ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 19/01/2021
Na obra naturalista “O Cortiço”, de Aluísio Azevedo, a depressão entre os habitantes do cortiço possui grande foco. Sob um recorte sociológico, a vida de Piedade segue um cenário melancólico quando a esposa descobre as traições de seu marido. Posteriormente, Piedade desenvolve quadro clínico relacionado à depressão, porém, é criticada pelos habitantes do cortiço que inferiorizam sua condição. Analogamente, insere-se, na sociedade contemporânea, o estigma relacionado às doenças mentais em razão de duas vertentes: a falta de informação e a influência das mídias.
A princípio, ressalta-se a importância do conhecimento na formação social tolerante de todo indivíduo. Segundo o filósofo grego Aristóteles, o conhecimento é a metodologia assídua para a obtenção da plenitude humana. Sob esse viés, infere-se que a falta de conhecimento a cerca de transtornos mentais, como a depressão que, segundo dados da Organização Mundial da Saúde, acomete mais de 322 milhões de pessoas no mundo, faz com que o indivíduo use o senso comum ao julgar o estado mental de outro indivíduo. Dessarte, o preconceito torna-se valorosamente presente no corpo social, o que gera a insensibilidade e a intolerância diante das particularidades do outro.
Outrossim, salienta-se o papel das redes sociais na estigmação da problemática em questão. Segundo o sociólogo contemporâneo Zygmunt Bauman, as aparências na contemporaneidade são construídas através de uma realidade perfeita, a qual não é atingível. Nesse sentido, depreende-se que a busca pela adequação ao modo de vida idealizado do mundo moderno suscita frustrações ao ser social já acometido por transtornos. Haja vista que o cenário desejado não é alcançável, a sociedade se estabelece fundamentada em inconformidade, o que acentua o estigma exposto.
Portanto, ao se analisar os dados descritos, conclui-se a necessidade de medidas para mitigar a falta de conhecimento e a influência negativa das redes sociais na sociedade. Logo, concerne ao Ministério da Educação promover debates nas escolas com profissionais da área - psicólogos e terapeutas - por meio da inserção de uma disciplina relacionada aos transtornos mentais, a fim de estabelecer a informação como ferramenta de combate ao preconceito e à intolerância. Dessa maneira, o corpo social se estruturará desvinculado de estigmas que impedem o bem-estar coletivo.