ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 19/01/2021
O Mito da Caverna, alegoria escrita por Platão, explica a evolução do processo de conhecimento. Segundo o autor, os seres humanos se encontram prisioneiros de uma caverna, da qual estão habituados somente a ter uma ilusão do que veem como se fosse a verdadeira realidade. De maneira análoga ao presente, a questão do estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira, pode ser bem representada pelo mito, visto que esse é um problema que vive às sombras da sociedade. Logo, em razão da falta de políticas públicas, bem como a falta de debates sociais que auxiliem na quebra deste estigma.
Em primeiro plano, é necessário ressaltar que a falta de políticas públicas de tratamentos coopera diretamente para o estigma das doenças mentais. Consoante a esse pensamento, o filósofo iluminista Jean-Jacques Rousseau, em sua obra ‘‘Contrato Social’’, afirma que o Estado é responsável por viabilizar medidas que cooperem para o bem-estar social. Nesse contexto, a partir do momento que este se isenta de garatir políticas públicas, restringindo o acesso à tratamentos psíquicos de qualidade, ocorre a quebra do contrato social e aumento do estigma. Desse modo, faz-se necessária a revisão da postura estatal com a sociedade.
Além disso, faz-se mister destacar que a banalização de debates sociais sobre às doenças mentais invibializa a desmistificação do estigma social. À luz disso, o filósofo alemão Hans Jonas afirma que uma sociedade saudável deve ser capaz de reconhecer e corrigir as suas enfermidades sociais, de modo a reverter a patologia atual. Diante disso, quando grande parte da sociedade banaliza e silencia debates sobre a importância da quebra do estigma associado às doenças mentais, ocorre o reforço deste comportamento, assim como a marginalização destes indivíduos na sociedade. Dessa forma, faz-se necessária a reformulação do comportamento social para a inclusão.
Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para reverter os estigmas associados às doenças mentais. Nesse viés, o Ministério da Saúde, junto ao Estado, deve investir em políticas públicas de tratamento, por meio de um projeto de lei a ser entregue à Câmara dos Deputados. Nele, deve constar que por meio destes investimentos os estados devem oferecer tratamentos de qualidade, assim como campanhas sobre a importância dos tratamentos. Com fito de desmistificar a informação, ocorrer a quebra do estigma social e democratizar o acesso ao tratamento, além de retirar o impasse das sombras da sociedade.