ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 19/01/2021
De acordo com o sociólogo Erving Goffman, a teoria do estigma social preconiza ações preconceituosas que designam indivíduos como menos valorizados e desqualificados. Dessa maneira, percebe-se que portadores de doenças mentais são diretamente afetadas por esses problemas. Esse imbróglio é reforçado pela visão pouco empática da sociedade e também pela falta de discussão da mídia.
Em primeiro lugar, destaca-se a perspectiva da população em relação a problemas mentais. Consoante à Teoria do Habitus, do sociólogo francês Pierre Bourdieu, a sociedade possui padrões que são impostos, naturalizados e, posteriormente, reproduzidos pelos indivíduos. Sendo assim, percebe-se que o preconceito a pessoas com doenças mentais está enraizado na sociedade. Nesse prisma, desde crianças as pessoas com aprendem que há um padrão idealizado de saúde mental, em que a depressão, ansiedade e outras moléstias são vistas como um sinal de fraqueza. Como consequência, tal comportamento é transmitido através das gerações, o que perpetua o preconceito e discriminação.
Outrossim, cabe salientar o papel da mídia. Durante o iluminismo, a imprensa foi fundamental na difusão de informações que causaram revoltas e levaram, até mesmo, à queda de monarquias. Nesse sentido, percebe-se que a mídia pode levar à alteração de comportamentos. Entretanto, isso não é visto no que tange a discriminação de doentes mentais. Assim, emissoras de TV, rádio e influenciadores digitais se omitem desse debate, o que colabora para que o cenário atual se mantenha. Nesse viés, com poucas informações difundidas, as vítimas do preconceito continuam sofrendo e podem ter seu quadro de saúde agravado.
É mister, portanto, que medidas sejam tomadas para mitigar essa problemática. O Estado, por meio do Ministério da Saúde e em conjunto com a mídia, deve criar campanhas que informem a população sobre os malefícios da minimização de doentes mentais. Para isso, as campanhas devem ser divulgadas em intervalos de TV, jornais e em vídeos na internet, atingindo todas as faixas etárias. Tais medidas visam diminuir os efeitos negativos do estigma e, além disso, colaborar na recuperação dos doentes. Com essas medidas sendo tomadas, os doentes poderiam se preocupar apenas com sua saúde e não com o preconceito e comentários mal intencionados.