ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 19/01/2021

Pontes Newtonianas                                                                              “Construímos muitos muros e poucas pontes”. Essa afirmação do teólogo e cientista Isaac Newton pode ser facilmente aplicada aos estigmas associados às doenças mentais na sociedade brasileira, já que essa problema é marcada por concentrar a construção de barreiras sociais e a escassez de medidas para sua erradicação. Assim, torna-se claro que esse panorama tem origem central no comodismo da população, emergindo problemas complexos que precisam ser revertidos. Desse modo, agrava o quadro central não só um individualismo, como também, uma carência reflexiva.                          Em primeiro plano, é preciso atentar para o individualismo presente na questão. Na obra, “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. A tese do sociólogo pode ser observada de maneira específica na realidade brasileira no que tange as doenças mentais na sociedade. Essa liquidez que influi sobre a questão funciona como um forte empecilho para sua resolução, pois, o individualismo de cada cidadão sobre sua participação na saúde mental e emocional do seu próximo corrobora relevantemente para os estigmas deixados no indivíduo, desde palavras más ditas a ofensas.                                                            Além disso, outra dificuldade enfrentada é sobre uma carência reflexiva. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) mais de 11 milhões de brasileiros têm depressão. Pela interpretação dos índices, percebe-se que a população gerou um comodismo social em torno do problema, uma vez que, apesar de os dados serem alarmantes os cidadãos não tem tentando reverter e refletir sobre as consequências das doenças mentais na sociedade ( como um maior distanciamento social), contribuindo assim, para o aumento desses índices, já que a sociedade negligencia a importância da saúde mental para a prevenção de doenças, como a depressão.                                                                  Portanto, uma intervenção faz-se necessária. Logo, é preciso que o Ministério da Educação em parceria com o Conselho Federal de Psicologia do Brasil, desenvolvam “Workshops”, em escolas, sobre a importância da empatia para o enfrentamento de problemas sociais, proporcionando uma reflexão que leve ao equilíbrio da sociedade. Tais atividades devem ser direcionadas aos alunos, porém, o evento pode ser aberto à comunidade. Além disso, podem ser ofertadas atividades práticas e dramatizações, a fim de tratar o assunto de forma lúdica para que a empatia seja uma prática presente em situações de estigmas relacionados à doenças mentais. Dessa forma, mais “pontes newtonianas” vão ser construídas, e muros, derrubados.