ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 19/01/2021
A saúde de qualidade é um dos 17 objetivos de desenvolvimento sustentável proposto pela Organização das Nações Unidas (ONU). Entretanto, o preconceito associado às doenças mentais têm emergido como um empecilho para a reificação dessa meta. Essa conjuntura deriva tanto da exposição, através das redes sociais e mídia, de bem-estar contínuo, quanto da elitização de serviços de apoio psíquico.
A priori, cabe resgatar a ideia de “Industria Cultural”, elaborada por pensadores da Escola de Frankfurt, que versa sobre como a tecnologia gera uma idealização e uma padronização de vida nos meios digitais que, normalmente, não correspondem à realidade. Dessa forma, cria-se um ideal e, aqueles que não alcançam essa utopia, são ridicularizados e vistos como frescos. Por conseguinte, as pessoas fora desse padrão acabam se isolando e, consequentemente, reprimindo suas dores por medo do preconceito.
Ademais, vale lembrar que “A Grande Depressão de 1929” teve origem em um colapso econômico e, sendo assim, verifica-se que o poder de compra está intimamente ligado à felicidade do indivíduo. Nessa ótica, é pertinente ressaltar a ideia de “Hierarquia das Necessidades”, postulada por Maslow, a qual demonstra que a prioridade humana será sempre os anseios fisiológicos. Nesse viés, o cidadão brasileiro irá preferir saciar suas vontades básicas - como água e comida - em detrimento do acesso à psicoterapia ou outros serviço de apoio mental, haja vista que a oferta gratuita desse tipo de atendimento é escassa no país. Desse modo, a população mais carente cria um estereótipo em relação às clínicas e profissionais dessa área.
Sob essas perspectivas, conclui-se que o Ministério da Saúde (MS) deve desmistificar a ilusão de vida perfeita. Essa medida deve ser reificada por meio de esclarecimentos a respeito da mente humana, elucidados por psicólogos e psiquiatras, que serão feitos nas redes sociais e na televisão, a fim de desconstruir os estereótipos vigentes. Outrossim, o MS deve criar clínicas mentais populares através de investimentos para a formação de novas alas nos hospitais públicos, com o intuito de atender a parcela menos favorecida da sociedade. Mediante tais providências, o Brasil irá se aproximar do objetivo da ONU anteriormente referido.