ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 19/01/2021
No livro “O Holocausto Brasileiro”, escrito por Daniela Arbex, são retratados as condições insalubres e preconceitos destinados aos indivíduos portadores de doenças mentais no Hospital Colônia de Barbacena. Nesse contexto, apesar de retratar a realidade de séculos atrás, a obra reflete a contemporaneidade brasileira, uma vez que os preconceitos, a desinformação da população e a precariedade nos tratamentos oferecidos promovem um estigma em relação às doenças mentais no Brasil. Deste modo, questões como as causas e consequências dessa problemática devem ser postas em vigor a fim de serem compreendidas e combatidas.
É relevante abordar, primeiramente, que na teoria “Educação Bancária” de Paulo Freire, educador brasileiro, é criticada a forma de passagem da educação e a não promoção de diálogos no processo educativo nacional. Nesse sentido, com um ensino ofertado na forma de passagem da educação e a não promoção de diálogos e debates sobre as doenças psicóticas e seus impactos na vida das pessoas que as possuem, é perceptível a formação de uma sociedade sem inforação, de preconceitos antigos e sem empatia. Nessa perspectiva, no livro “O Cortiço”, escrito por Aluísio Azevedo,a doença psicológica é apresentada como “loucura” de uma mulher velha, evidenciando que desde dois séculos atrás existe uma população de estigmas que deveriam ser revestidas com o ensino.
Em decorrência disso, segundo a Lei 8080, de 1990, o SUS é direito de todos e tem como objetivo a sua integralidade, universalidade e equidade, que nesse caso não são concretizadas, uma vez que as doenças psicológicas são tratadas de forma desigual. Nessa percepção, uma vez que a educação não promove indivíduos preparados em torno desse eixo, consequentemente no âmbito da saúde a falta de atenção na criação de alternativas que buscam ofertar a qualidade é precária, e o aumento no número de pessoas que não buscam tratamentos é elevada. Tal fato é perceptível ao analisar-se o número de pessoas depressivas no Brasil, mais de 11 milhões segundo OMS, tendo que a falta de acesso a políticas públicas de tratamento advindas do estigma social é alarmante.
Evidencia-se, portanto, que tal problema advindo da educação e suas consequências apresentam-se como uma barreira no avanço do Brasil. Portanto, cabe ao Ministério da Educação e Sáude, responsáveis pela administração e manutenção desses setores, adotar medidas que diminuam o preconceito, com aulas sobre essa temática e diálogos que visam o conhecimento, além de prestar um bom atendimento e tratamento para essas pessoas, adotando medidas que visam maiores investimentos nesse quesito, sendo possível dessa forma a redução desse estigma social. Somente assim, será possível que o livro “Holocausto Brasileiro” retrate a realidade antiga e não a atual.