ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 19/01/2021
De acordo com o artigo 196 da Constituição Federal de 1988, saúde é um direito de todos, e dever do Estado, porém, na prática, essa garantia é deturpada, visto que o número de casos de transtornos mentais no país tem aumentado. Esse cenário nefasto ocorre não só pelo preconceito enraizado na sociedade, mas também pela crescente banalização destas doenças.
Em Esparta, na Grécia Antiga, crianças identificadas com algum transtorno mental eram sacrificadas, com o propósito de “aliviar seu sofrimento”. Apesar de que na contemporaneadade não utilizam mais destes esforços drásticos, uma parcela da população ainda tende a excluir essas pessoas do meio social. Doenças como transtorno bipolar e esquizofrenia ainda são vistas de uma maneira negativa, e muitas vezes seus portadores são taxados como loucos. Essa segregação social é uma das principais causas do estigma que assola o país.
Ademais, além do preconceito, a banalização das doenças mentais também tem se tornado um grande problema no Brasil. Enfermidades como ansiedade e depressão são constantemente taxadas como “besteira”, levando parte dessas pessoas a não procurar ajuda médica. De acordo com uma pesquisa realizada em 2018 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 6 em cada 10 brasileiros vítimas de ansiedade ou depressão não procuram ajuda de um profissional quando necessário.
Levando os aspectos mencionados em consideração, é inegável a necessidade de medidas para reverter a situação. O Ministério da Saúde, em parceria com ONGs especializadas, deve promover uma força tarefa com o propósito de educar e informar a sociedade como um todo, a fim de garantir a integração dessas pessoas no meio social, livre de qualquer preconceito, assim como diz a Constituição.