ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 19/01/2021
O premiado filme “Coringa” retrata a vida de Arthur Fleck, um homem que sofre de doenças mentais e sobrevive isolado e desamparado pela sociedade e pelo governo na cidade de Gotham. Fora da ficção, o estigma e a negligência às enfermidades mentais é uma realidade em diversos países, inclusive no Brasil. Nesse contexto, a perpetuação dessa realidade reflete um cenário desafiador, cuja raíz desse problema encontra-se atrelada à ineficiência estatal e à inércia midiática.
Mormente, é justo reconhecer as iniciativas do Poder Público que visam a atenuar essa problemática, como a criação do CAPS (Centro de Atendimento Psicossocial), o qual se apresenta como um progresso em relação à autonomia da pessoa psicoatípica. Todavia, a carência de verbas, a morosidade do atendimento e o sucateamento do SUS (Sistema Único de Saúde) impedem o funcionamento continuado e pleno desse programa governamental. A esse respeito, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman afirma, em sua obra “Modernidade Líquida”, que algumas instituições, a exemplo do Estado, perderam sua função social, mas tentam conservá-la a todo custo, sendo denominadas de “instituições zumbis”. Destarte, as doenças mentais continuar-se-ão sendo estigmatizadas enquanto o governo negligenciar essa situação.
Não obstante, a inércia da mídia também contribui para essa problemática. Sob esse viés, o filósofo chinês Confucio afirma que para derrotar um inimigo é necessário, antes, conhecê-lo. Nesse sentido, a desinformação e a falta de incentivo à cultura do autocuidado impedem que muitas pessoas possam conhecer a possibilidade de possuírem alguma enfermidade mental e, consequentemente, de tratá-la, o que contrasta com o pensamento do sábio chinês. Sobre isso, o médico Dráuzio Varella afirma que campanhas midiáticas sanitárias ainda são muito incipientes e raras nos veículos de comunicação brasileiros, o que evidencia essa tese. Com isso, é evidente que o oblívio de informações nas mídias contribui para a manutenção do estigma frente esse problema, o que expõe a nessecidade de novas políticas públicas.
Urge, portanto, uma solução definitiva para essa problemática. Para isso, é necessário que o Ministério da Sáude envie verbas para a construção de novos leitos e para a contratação de mais psicólogos e psiquiatras, além de divulgação midiática na televisão, rádio e internet sobre a importância de cuidar da sanidade mental. Isso será possível por meio do financiamento da Secretaria do Tesouro Nacional, instituição a qual deve conceder dinheiro para que as ações supracitadas sejam executadas. Assim, espera-se que o CAPS funcione plenamente e que a mídia divulge informações sobre o assunto, indo a favor de uma sociedade mais justa e acolhedora.