ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 19/01/2021
Segundo Mahatma Gandhi, “as doenças não são provenientes apenas de nossos atos, mas também de nossos pensamentos”. Nessa perspectiva, levando-se em conta a saúde mental em pauta no Brasil, a ideia de Gandhi aplica-se à conjuntura contemporânea, uma vez que, os números de doenças mentais são alarmantes no país. Enquanto fatores como as redes sociais contribuem para o aumento desses índices, a escassez de debate sobre tais distúrbios torna o tema um tabu na sociedade. Dessa forma, medidas interventivas fazem-se necessárias.
Em primeira análise, é possível afirmar que a falsa ideia de perfeição, propagada incansavelmente nas mídias sociais, é um fator que propicia o surgimento de distúrbios psicológicos. Em um dos episódios da série televisiva “Black Mirror”, a personagem principal torna-se obcecada pelos padrões estéticos e de vivência elevados que observa na internet e, ao tentar atingi-los, acaba negligenciando a própria sanidade. Fora da ficção, esse problema também faz-se presente, como mostram dados recentes da Secretaria do Estado da Saúde, os quais revelam que 77% das jovens de São Paulo enfrentam enfermidades como bulimia e anorexia, além de baixa autoestima e depressão, ao compararem-se com paradigmas impostos. Dessa maneira, evidencia-se uma crise moral em que a pressão social por padrões opressores - divulgados principalmente por meio das redes sociais - prejudica gravemente a estabilidade mental de diversos indivíduos.
Ademais, cabe ressaltar a falta de discussão como um dos fatores coniventes à problemática. De acordo com o filósofo alemão Georg Simmel, a “Atitude Blasé” configura-se como a capacidade da sociedade de ignorar assuntos que exigem preocupação. Nesse sentido, ao ignorar a existência de doenças mentais ou tentar banalizar a gravidade dessas, a população transforma a temática em um tabu, o que implica na falta de diálogo, no fortalecimento de preconceitos e na inibição das possibilidades de enfrentamento do problema.
Portanto, conclui-se que o estigma associado às doenças mentais persiste no Brasil. Dessarte, é necessário que o Governo, em parceria com os desenvolvedores de redes sociais como o Instagram, desenvolva projetos que disseminem debates sobre autoestima, autoaceitação e distúrbios psíquicos por meio dessas redes, a fim de superar os malefícios causados por essas plataformas. Além disso, urge que o Ministério da Saúde promova a discussão acerca do assunto, por meio de panfletagem, passeatas e palestras sobre tais doenças em locais públicos, com o fito de disseminar a conscientização e o debate sobre a saúde mental, quebrando assim esse tabu existente na sociedade.