ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 19/01/2021
O artigo 196 da Contituição Brasileira de 1988 determina a promoção da saúde, física e mental, como um direito de todos e dever do Estado. No entanto, no Brasil, é notório o descaso governamental frente ao combate de doenças, principalmente as de cunho psicológico, tratadas por parte da sociedade como “frescura”. Ademais, as formas de trabalho na atualidade - marcadas por rotinas exaustivas, estresse e cobrança por produtividade - fomentam prejuízos à saúde mental dos trabalhadores. Nesse cenário, é evidente a necessidade de medidas estatais e civis para o combate aos estigmas relacionados às doenças mentais na sociedade brasileira.
Primeiramente, é necessário enfatizar que é dever do Estado, como previsto constitucionalmente, a promoção da Saúde. Nesse contexto, a obra cinematográfica “Coringa” retrata a vida do famoso vilão, o qual possui saúde mental instável, e expõe suas dificuldades pessoais, sendo a mais enfática o descaso das autoridades locais frente à sua necessidade de acompanhamento profissional e de remédios controlados. Fora do cinema, é possível observar, no Brasil, situações semelhantes a abordada no filme, uma vez que as verbas destinadas à promoção da saúde mental não são suficientes para atender a totalidade da população que enfrenta tal problemática, deixando esse grupo social desamparado e suscetível à exclusão social.
Somado ao descaso governamental abordado, é fato que as relações trabalhistas atuais promovem a ocorrência de doenças psíquicas. Nessa ótica, o filósofo Byung-Chul Han defende em seu livro “Sociedade do cansaço” a ideia de que o trabalho contemporâneo provoca nos indivíduos a necessidade de hiperprodutividade e alto desempenho, ocasionando, assim, prejuízos mentais, como estresse, ansiedade e depressão. Em adição ao exposto pelo filósofo, é notado no ambiente de trabalho um descaso dos companheiros laborais frente ao problema enfrentado pelo outro, devido à competitividade imposta e à falta de alteridade.
Urge, portanto, que o Governo Federal, por meio do aumento de verbas destinadas à saúde, aumente o número de centros de apoio psicológico nos municípios - estes devem contar com psicólogos e psiquiatras. Essa medida possui como objetivo democratizar o acesso a tratamentos de doenças psicológicas e de cumprir o determinado no artigo 196 da Constituição. Além disso, cabe ao Ministério do Trabalho fiscalizar nas empresas o cumprimento das leis trabalhistas, de forma semestral, e incentivar a solidariedade necessária nesse meio, de forma a combater a “Sociedade do cansaço” e os estigmas relacionados à temática.