ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 20/01/2021

A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do País, prevê, em seu artigo 6o, o direito a saúde como inerente a todo cidadão brasileiro. No entanto, tal prerrogativa não se tem reverberado com ênfase na prática quando se observa os casos de doenças mentais no Brasil, e os estigmas associados a eles. Diante disso, é evidente o desafio para combater essa circunstância, que é agravada tanto pela falta de diálogo social quanto pela ineficácia de ações políticas.

Em princípio, é imperativo pontuar a falta de debate sobre o assunto como agravante do preconceito ligado a essas doenças. Isso decorre pelo fato que muitas famílias e escolas subestimam a importância da discussão sobre distúrbios mentais e não criam um ambiente acolhedor para que essas questões sejam levantadas sem julgamentos. Com isso, diversas pessoas desenvolvem estigmas relacionados a doenças mentais devido à falta de informações. Nesse sentido, verifica-se que há muita negligência a respeito da saúde mental dos brasileiros por parte de instituições sociais.

Ademais, a falta de medidas públicas efetivas que se relacionam com transtornos mentais é um grande empecilho para o fim desses estigmas sociais. Prova dessa debilidade são dados da Organização Mundial da Saúde que mostram que o Brasil é o país com mais portadores de depressão da América do Sul, o que exibe o atual descaso do governo com o tema. Dessa forma, a não preocupação do governo reflete na sociedade e no preconceito. Logo, é necessário maior engajamento das autoridades competentes para resolver esse problema no Brasil.

Portanto, a fim de consolidar uma mentalidade social que valorize o bem-estar mental dos cidadãos, compete às famílias e às escolas, como instituições fundamentais para a formação psicossocial de crianças e adolescentes, ampliarem a discussão acerca de transtornos mentais, por meio, respectivamente, de diálogos domésticos e cartilhas educativas. Além disso, cabe ao Governo Federal intensificar investimentos no tratamento e na divulgação de doenças mentais, mediante reestruturação orçamentária capaz de destinar mais recursos específicos para contemplar essas questões. Assim, será possível a construção de uma sociedade permeada pela efetivação dos elementos presentes na Magna Carta.