ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 19/01/2021

A luta antimanicomial, travada no Brasil desde a metade do século XX até os dias atuais por profissionais da saúde, como o médico Drauzio Varella, expõe um grave problema de saúde pública no Brasil. O embate se mantém graças ao estigma enraizado na cultura brasileira quanto às doenças mentais. Sob esse viés, pode-se notar que a violência simbólica exercida pelos ditos “normais” para com os grupos sociais fora do padrão legitimado em sociedade se encontra na raiz do problema e medidas educacionais necessitam ser tomadas.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que o estigma refletido na segregação e na negação das doenças psiquiátricas são resultado de um processo histórico de exclusão social a grupos vistos como diferentes. Assim, segundo o filósofo francês Pierre Bordieu, em seu conceito de violência simbólica, a define como um mecanismo sutil utilizado pela classe dominante para impor e legitimas suas crenças e valores. Dessa forma, convencionou-se tratar doenças como depressão, equizofrenia e outros transtornos, como desvios do caráter padrão de comportamentos socialmente aceitáveis, fator que incita o preconceito e até mesmo a ausência de busca por um diagnóstico e tratamento.

Dessa maneira, a prevalência da mentalidade excludente pode ser observada pelos episódios históricos de abuso e negligência para com a saúde mental no Brasil. Com isso, o famoso manicôminio de Barbacena, em Minas Gerais, no século passado, foi pauco para as mais diversas violências contra pacientes. Além disso, a ausência de ações governamentais de caráter educativo e desconstrutivo mantém a discussão em torno da problemática á margem das prioridades e dos assuntos nacionais.

Portanto, infere-se que o preconceito é um fator relevante para a problemática e medidas educacionais podem modificar o cenário em questão. Para isso, cabe ao Ministério da Educação, juntamente com o Ministério da Saúde, desmistificar a questão da saúde mental no Brasil. Isso deve ser feito por meio de palestras e eventos escolares. Essas ações devem contar com a presença de psicólogos e médicos e deve-se debater o viés histórico, clínico e social das doenças mentais e seus desdobramentos. Tal medida visa estimular o conhecimento e modificar o cenário brasileiro que notadamente exclui seus indivíduos. Só assim pode-se alcançar a redução das desigualdades e desmistificar tabus.