ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 19/01/2021
Segundo Desmond Tutu: “a adaptação se tornara um eufemismo das mazelas sociais”, logo, o olhar popular é, por vezes, turvado pelo costume, ocultando a realidade nacional. Assim, é inegável que o estigma acerca da questão das doenças mentais, no Brasil, reflete o execrável estereótipo de um povo “sempre alegre”, enquanto esmaece a grave situação vivenciada por muitos brasileiros. Logo, uma distorção, infelizmente, fatal.
De início, a imagem padronizada do “brasileiro” pressiona a população a adequar-se a um molde emocional fajuto, uma vez que, ao privar-se da liberdade de adoecer, o indivíduo veste uma máscara enfadonha que distorce sua natureza. Nessa realidade forjada, buscando atender expectativas os “mascarados” atiram-se aos braços das redes sociais, onde – ocultando-se em seus perfis – pintam cenários fictícios, afogando-se em posts e curtidas. Assim, como Lima Barreto narra em seu “Diário do Hospício” (que dá origem a obra “Cemitério dos Vivos”), estes indivíduos são capturados pelas curtidas, banhados em falsas premissas e deixados em meio a um “pavilhão” de loucos, onde a verdadeira face de sua doença mental toma forma de “textões” e falácias, que se dissolvem em meio a tantas outras, desprovidas da atenção necessária.
Ademais, na busca por atender estas expectativas, brasileiros que vivenciam uma doença mental – ocultando-se em nome do pertencimento – forçados por um status social perdem o caráter de doentes, visto que, negados os direitos constitucionais à saúde e bem-estar – previstos no artigo 6º da Constituição Federal – são caracterizados como “dramáticos”. Desse modo, a falsa ideia de que não há doença, mas um mal estar efêmero e potencializado, agrava a Anomia (conceituada pelo sociólogo Émile Durkheim) destes indivíduos, perpetuando a negação da realidade nacional, fundamentada em ignorância e intolerância.
Depreende-se, pois, a necessidade de se superar estes obstáculos, para que se apague a falsa concepção atribuída à doença mental, no Brasil. Nesse viés, o Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Educação, deve fomentar a conscientização – por meio de aulas aprofundadas – desde o ensino fundamental, quanto à realidade e gravidade destas doenças, para que a população compreenda suas causas e consequências, a fim de derrubar as tantas máscaras que circulam pela nação.