ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 19/01/2021
O direito à saúde é assegurado pelo artigo 6º da Constituição Federal de 1988 para todos os habitantes do Brasil. Entretanto, o estigma associado às doenças mentais é um impasse para que a Constituição Cidadã seja efetivada, problema causado pela pregação à perfeição e ineficiência do Estado e sociedade ao lidar com o assunto.
Diante desse cenário, a suposta vida ideal é um obstáculo ao fim do preconceito com aqueles que sofrem algum tipo de transtorno. Segundo o intelectual Guy Debord, a sociedade vive uma situação que ele chama de Sociedade do Espetáculo, em que as relações sociais são mediadas por imagens de perfeição que muitas vezes são falsas. Dessa forma, o indivíduo que vive num ambiente em que é perpetuado um padrão irreal, logo inalcancável, se sente à margem e desabrigado para demonstrar que precisa de ajuda, o que implicaria ser estigmatizado e estar forma da “norma”.
Ademais, outra problemática relacionada às doenças mentais é a forma irresponsável como os brasileiros lidam com o assunto. O psiquiatra francês Philippe Pinel, considerado como o pai da psiquiatria, provavelmente foi o primeiro a estudar a depressão como doença de fato e não como pseudo-doença. Entretanto, mesmo após tanto tempo, as doenças mentais, como a depressão, ainda são tratadas como pseudo-doenças. Dessa maneira, quem precisa de ajuda não recebe a devida atenção, ou recebe de modo ineficaz.
Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. É preciso que a sociedade e o Estado busque romper com a Sociedade do Espetáculo, por meio de campanhas informativas sobre doenças mentais e como elas são comuns, para que demonstrar que precisa de ajuda seja visto como algo positivo. Além disso, o Ministério da Saúde deve promover a saúde mental, através da ampliação do atendimento psicológico e psiquiátrico - por exemplo, em escolas e unidades básicas de saúde -, para que o artigo 6º da Carta Magna seja efetivado.