ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 19/01/2021

Em Esparta, cidade da Grécia antiga, as crianças que nascessem apresentando problemas mentais eram sacrificadas, pois, segundo os espartanos elas não seriam úteis a sociedade. Atualmente, alguns brasileiros enfrentam situação similar diante da estigmação das doenças mentais, o que é fruto tanto do preconceito social, como da inexistência de atuação estatal.

A princípio, vale salientar o papel negativo do preconceito social na problemática. Consoante Émille Durkheim, uma das principais causas do suicídio é a falta do sentimento de pertencimento de um indivíduo com sua comunidade. Sob tal ótica explícita, a relação da opressão social de uma sociedade preconceituosa com a incidência dos transtornos mentais, já que as doenças psíquicas são mistificadas, julgadas e até condenadas inibindo que muitas pessoas busquem tratamentos e ainda aumentando o sentimento de estranheza citado por Durkheim.

Ademais, é importante destacar a inoperância do Estado com relação saúde psíquica dos brasileiros. De acordo com a Constituição Cidadã de 1988, é garantida a saúde plena para todos que apresentem deficiências de  quaisquer natureza. No entanto, esse direito não transcede o papel, tendo em vista a pouca assistência à transtornos mentais como a depressão e a ansiedade, sendo priorizado doenças mais “palpáveis” como as físicas. Essa política de priorização do visível é amparada nos baixos índices de casos de doenças sociais, como a depressão que segundo a OMS, acometeu apenas 5% da população do Brasil em 2017.

Portanto, devido a importância da capacidade cognitiva para os cidadãos, medidas precisam ser tomadas. Cabe ao Ministério da Educação atuar na desconstrução da mentalidade excludente e preconceituosa da sociedade, por meio da adesão de aulas na grade curricular que abordem o tema saúde mental com o fito de erradicar julgamentos e atitudes que degradem ainda mais a situação das vítimas. Ao Ministério da Saúde, destina-se a função de intensificar ações relacionadas aos trantornos não físicos com a introdução de profissionais especializados - Psquíatras e Psicológos - no Sistema Único de Sáude, para que na ocorrência de um caso, o indíviduo possa contar com tratamento adequado. Dessa maneira, doenças mentais perderam o estereótipo de “frescura” e passaram a receber respeito e atenção tanto do Estado como da Comunidade.