ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 19/01/2021

Na Grécia Antiga, os indivíduos que estavam alijados da sociedade considerada “normal”, tais como os criminosos e os escravos, sofriam com a exclusão social e eram marcados com ferro em brasa no corpo. Não obstante o lapso histórico, é indubitável que existe uma semelhança entre essa prática e a forma como as doenças mentais são vistas pelos brasileiros, visto que as pessoas que sofrem com esses transtornos ainda enfrentam o preconceito proveniente das demais parcelas da população. Sob essa ótica, é primordial analisar o estigma social associado a essa minoria, bem como os efeitos do culto às imagens no bem-estar psicológico desse grupo.

É imperioso salientar, a princípio, que as pessoas que sofrem com doenças mentais são, reiteradamente, associadas a uma identidade negativa, seja pela desinformação, seja pelo preconceito existente na sociedade brasileira. Essa questão é ratificada pelo conceito de “Estigma Social”, o qual foi proposto pelo sociólogo Erving Goffman e evidencia que os grupos afastados da normatividade imposta pelo corpo social sofrem constantemente com a inferiorização. Nessa perspectiva, como a estigmatização está presente de maneira substancial no cotidiano dos indivíduos que possuem esses transtornos, observa-se que eles tão sujeitos a problemas graves, como a marginalização social, assim como ocorria na Grécia Antiga com os criminosos e com os escravos.

Ademais, infere-se que as relações interpessoais são, geralmente, marcadas pela valorização das aparências. Tal fenômeno pode ser relacionado ao conceito de “Sociedade do Espetáculo”, o qual foi postulado pelo sociólogo Guy Debord e destaca que o culto às imagens constitui um fator intrínseco à constante exposição dos indivíduos na contemporaneidade. Isso pode ser visto, por exemplo, em um episódio da série televisiva “Black Mirror”, no qual os personagens são classificados pela sua avaliação nas redes sociais e criam perfis idealizados para serem aceitos na sociedade. Por conseguinte, denota-se que esse culto às imagens corrobora  difusão de doenças mentais entre os brasileiros, uma vez que eles tentam seguir padrões de beleza quase inatingíveis, o que pode levá-los à frustração e sujeitá-los, consequentemente, à estigmatização.

Depreende-se, portanto, que as doenças mentais estão relacionadas ao estigma social existente e à valorização das aparências. Posto isso, com vistas a subverter o paradigma de opressão aos indivíduos com esses transtornos, urge que o Ministério da Educação crie, por meio de subsídios governamentais, campanhas publicitárias nas redes sociais. Essa medida deverá expor as dificuldades enfrentadas por essa minoria devido à estigmatização e os efeitos do culto às imagens no bem-estar psicológico desse grupo. Somente assim, criar-se-á um contraste entre a realidade e o que ocorria na Grécia Antiga.