ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 23/01/2021

“Euphoria” é uma série da produtora HBO que narra uma parte da vida da protagonista Roe, jovem que sofre de uma doença psicológica. Nesse sentido, a adolescente passa seus dias sendo negligenciada pelos seus amigos e familiares, os quais acham que a condição dela é superficial e pouco destrutiva. Dessa forma, constata-se que a realidade exposta na obra encontra sua veracidade na vida de muitos brasileiros que sofrem de doenças mentais, que são obrigados a esconderem sua condição por medo de serem mal interpretados. Sendo assim, faz-se necessário apontar as causas desse impasse no Brasil, a pensar, a adoção de estereótipos na sociedade, além da negação das questões mentais como doenças.       Nesse contexto, a adoção de arquétipos na sociedade contribui para a permanência do impasse. Nesse prisma, segundo o autor Jean-Jacques Rousseau, a sociedade é prejudicial na medida em que, com ela, surgem diversos tipos de comparações, como o mais bonito, o mais inteligente, o doente e o saudável. Assim, todas as condições que destoam da “normalidade”, como as doenças mentais, são julgadas como anormais, de modo que os sujeitos que apresentam tais características são vítimas do julgamento alheio e, muitas vezes, são segregadas do convívio coletivo. Corolariamente, esse triste estereótipo acentua os casos de depressão e ansiedade, pois as pessoas se sentem desamparadas, assim como abordado pela UERJ, a qual mostrou um aumento de 4% nos casos de depressão em 2020. Logo, conclui-se que os paradigmas são deletérios e devem ser desconstruídos.

Por outro lado, ainda há a perspectiva de que os acometimentos mentais não são doenças. Nesse viés, cabe apontar a insuficiência escolar como causadora desse problema, visto que são poucas as discussões sobre essa temática em sala de aula. Desse modo, rompe-se com a perspectiva do educador Jean Piaget, o qual atribui à escola a função de formar alunos que não aceitem verdades dogmáticas, além de criar pessoas contestadoras da ordem social. Com efeito dessa conjuntura, acentua-se os problemas de preconceito com o “diferente”, de modo a criar indivíduos que não reconhecem os possíveis impactos das doenças mentais na vida dos portadores, o que pode piorar a condição desses indivíduos, visto que a sensação de solidão pode exacerbar os sintomas e evoluir para casos mais graves.

Em suma, urge uma mudança na mentalidade do brasileiro em relação às doenças mentais. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação, responsável pelas questões educacionais no Brasil, por meio de parcerias com as escolas públicas e privadas, criar cartilhas informativas que mostrem a relevância e o potencial destrutivo dos problemas mentais, a fim de incentivar a discussão do tema e livrar a população dos estereótipos construídos socialmente. Para que essa ação seja eficiente, é fundamental a participação da família.Com isso, diminuirão  as discriminações análogas ao abordado em “Euphoria”.