ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 19/01/2021
“O pior mal é aquele visto como cotidiano”. A máxima da filósofa alemã Hannah Arendt aponta, de acordo com seus estudos, a indiferença da sociedade frente a certas questões. Nesse contexto, destaca-se o estigma associado às doenças mentais que, hodiernamente, aflinge milhares de pessoas. Esse é um problema que está diretamente relacionado à realidade do Brasil seja pela negligencia governamental, seja pela indiferença social.
A princípio, é incontestável que a inoperância estatal esteja entre as causas do problema. Inegavelmente, poucas são as políticas públicas que buscam prevenir as doenças mentais no brasileiro, tomando ações médicas reativas na maioria dos pacientes. Nesse prisma, de acordo com filósofo John Locke, ocorre uma quebra do contrato social, já que o Estado não cumpre sua função constitucional de garantir o direito à saúde para a população. Decerto, isso se demonstra na pesquisa do Conselho Federal de Medicina (CFM) que diz que o governo investe apenas 3,48 reais por brasileiro na saúde. Esse número demonstra que as ações do governo ainda são insuficientes para prevenir esse problema. Outrossim, destaca-se a cultura da ignorância perpetuada por parte da sociedade que, muitas vezes, por preconceito, não busca tratamento especializado no início da doença ocasionando casos mais graves. Isso está de acordo com o pensamento de A. Schopenhauer de que os limites do campo da visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo que a cerca. Tal fato pode ser observado, na informação divulgada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2017, que diz que a depressão é a segunda maior causa de morte entre pessoas de 15 à 29 anos. A falta de informação prende a população em um ciclo vicioso de preconceito e pode gerar um prejuízo social incalculável.
Diante desse cenário, é mister que o Senado Federal promova a manutenção da saúde mental dos brasileiros, por meio da criação de uma lei que garanta o acréscimo de dinheiro investido na prevenção das doenças, a fim de evitar que as comorbidades mentais evoluam, sendo isso necessário para garantir o direito pleno à saúde no Brasil. Além disso, palestras devem ser realizadas para a população, a fim de orienta-la sobre os malefícios de não procurar ajuda médica especializada, para que, gradativamente, esse imbróglio deixe de ser indiferente para a sociedade, conforme o pensamento de Hannah Arendt.