ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 19/01/2021

O documentário “Holocausto Brasileiro”, lançado em meados da última década, escancarou para a nossa sociedade uma herança estigmatizada de como os doentes mentais eram tratados no Brasil, antes da reforma manicomial. Nesse sentido, a forma como se lida com as doenças mentais nos dias de hoje necessita ser amplamente discutida na sociedade brasileira.

Em primeiro lugar, os hospitais colônia, onde eram internados costumeiramente os pacientes psiquiátricos, representaram um afronte aos Direitos Humanos. Ali, pessoas foram mal tratadas com choques elétricos, mantidas nuas e alimentadas como animais. Naquela época, o tratamento de doentes mentais ainda era incipiente, devido ao pouco avanço da medicina nessa área. Assim, o preconceito que a sociedade carrega atualmente, no que se refere às doenças mentais, é um reflexo do que aconteceu no passado e que pode ser comparável ao holocausto nazista, da 2ª Guerra Mundial.             Por outro lado, a partir de uma reforma sanitarista, iniciada pela reforma manicomial no País, passou-se a entender a saúde mental como um direito de todo brasileiro. Agora, não apenas pessoas com limitações intelectuais necessitam de cuidado mental, como também o cidadão comum precisa estar com sua face psíquica saudável. Desse modo, doenças como a depressão passaram a estar presentes no diagnóstico de 11,5 milhões de brasileiros, de acordo com dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), em 2017.

Portanto, são necessárias medidas que continuem contribuindo para o avanço do tratamento de doenças mentais no País. Nesse ínterim, o Ministério da Educação pode implementar nas escolas básicas grupos de apoio para estudantes em sofrimento psíquico, a fim de que eles possam compartilhar seu adoecimento e suas frustrações, para uma possível intervenção da escola. Em contrapartida, o Ministério da Saúde e dos conselhos profissionais devem valorizar a atuação de psicólogos, ampliando o acesso a esses profissionais na Atenção Básica à Saúde, a fim de diminuir consequências graves no adoecimento mental, como o suicídio. Desse modo, talvez os estigmas relacionados às doenças mentais no Brasil podem, um dia, acabar.