ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 19/01/2021
Para Giorgio Agamben, o estado de exceção, isto é, a supressão de direitos em casos específicos, tornou-se cotidiano na vida de certos civis, como os cidadãos com doenças mentais e desprovidos do tratamento digno. Nesse viés, nota-se que a sociedade brasileira é gravemente marcada pelo descaso social e estatal com a saúde mental, haja vista a falta de empatia populacional e os ínfimos recursos destinados ao tratamento psicológico. Logo, urgem políticas educacionais e estruturais para mitigar o cenário.
Nesse contexto, deve-se pontuar que vítimas de transtornos mentais são culturalmente hostilizadas no país, pois, muitas vezes, doenças como depressão e transtorno bipolar são associadas à fraqueza do indivíduo. A esse respeito, o antropólgo Franz Boas afirma que o cidadão tem seu comportamento determinado pelo ambiente cultural, ou seja, o civil doente inserido em uma realidade preconceituosa acaba desencorajado a buscar ajuda. Diante disso, em virtude do estigma relacionado à saúde mental, alguns brasileiros negligenciam o tratamento e, inclusive, agravam o quadro de transtorno psicológico. Então, urgem medidas educacionais para romper o paradigma.
Além disso, vale ressaltar que, historicamente, o cuidado com a saúde psíquica não é prioridade para as autoridades, pois civis com poucas condições economicas são marginalizados, no que tange o tratamento médico. Afinal, conforme o documentário ‘‘Holocausto Brasileiro’’, ao longo do século XX, o Poder Público disponibilizava ínfimos recursos para os doentes mentais em tratamento, fato esse, que demonstra a desumanidade com que a União trata a situação. Desse modo, atualmente, a falta de acesso ao tratamento psicológico ainda é presente na esfera social mais humilde, já que muitos não conseguem pagar pelos remédios, por exemplo. Em suma, são necessárias políticas estruturais nessa questão.
Portanto, uma solução plausível para atenuar o estigma na saúde mental será a criação do projeto ‘‘Mentes Livres’’ pelo Ministério da Educação. Posto isso, por meio de verbas federais, debates com psicólogos serão veiculados nas mídias digitais e terão chats on-line para interação social. Dessa maneira, a finalidade será romper com essa atual cultura preconceituosa e exponcenciar a empatia civil diante das doenças mentais. Ademais, a União vai custear a contratação de mais psicólogos no Sistema Único de Saúde (SUS). Só assim, a longo prazo, não haverá mais estado de exceção no quesito saúde mental.