ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 21/01/2021

Ao longo do processo de criação artística, muitos pintores se apropriaram da mímesis para representar a conjuntura estabelecida em comparação com o real. Na vanguarda expressionista, o quadro “O Grito”, do autor Edvard Munch, é o maior símbolo da utilização dessa prática na realidade, pois, infelizmente, já que representa um indivíduo em aflição, não se distancia do contexto atual. Nessa lógica, a má postura governamental -especialmente no que diz respeito aos setores educacionais- resulta no aumento dos casos de instabilidade emocional, consequência do problemático estigma associado às doenças mentais.

Em uma primeira perspectiva, a situação problemática do estigma associado às doenças mentais tem como causa principal a má postura do Estado frente aos problemas emocionais. À luz disso, o Estado pouco investe em medidas que desmitifiquem o tabu relacionado aos distúrbios psicológicos, já que, segundo Paulo Freire, a educação brasileira é metódica e não permite o desenvolvimento de habilidades socioemocionais do discente. Tendo em vista que as escolas são importantes ambientes para a construção social e para o debate dessas questões, é necessária uma desconstrução dos pressupostos no que tange à saúde mental. Com efeito, a estigmatização relacionada ao psicológico do indivíduo impede o enfrentamento de problemas sociais.

Por consequência disso, a negligência do Estado viabiliza o estigma em relação às doenças mentais na sociedade, o que implica o aumento de casos. À luz dessa análise, o tabu imposto durante o processo de construção social -resultante da falta de apoio socioeducional - impede um bom desenvolvimento mental do ser, o qual, frequentemente, acumula o desequilíbrio inferior pela concepção inferiorizada da necessidade de estabilidade emocional. Relaciona-se a maior consequência desse prima à carência de habilidades socioemocionais para o enfrentamento de problemas, tal como a elevação do quadro de depressão da atual pandemia da COVID-19.

Em face do exposto, é de extrema notoriedade investir na saúde mental do país. Para desmistificar o referido tabu na socialização, é dever do Ministério da Educação incluir debates sobre os distúrbios psicológicos na sociedade, por intermédio da alteração da Base Nacional Comum Curricular, oferecendo à base pedagoga a atuação de profissionais recém-formados em psicologia, com o fito de eliminar a negligência estatal e de incentivar habilidades socioemocionais. Feito isso, a mímesis seraá distanciada pela ruptura do estigma associado às doenças mentais.