ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 19/01/2021

O filme estadunidense “Coringa” retrata a história de Arthur Fleck, um aspirante a comediante que sofre uma série de transtornos mentais. Por consequência, o personagem sofre diversos abusos no decorrer do enredo, o que resulta em um desfecho trágico. Fora da ficção, o Brasil passa por desafios análogos, posto que, segundo dados da OMS, 5% dos brasileiros são acometidos por problemas relacionados a saúde mental. Nesse cenário, destacam-se dois fatores que agravam essa adversidade: o abandono social e o preconceito.

Em primeiro lugar, é necessário salientar o papel do isolamento como determinante desta questão. Foi Émile Durkheim, sociólogo renomado, um dos primeiros a discutir sobre este quadro. Conforme o pensador, a crescente urbanização das cidades acarretou em uma menor integração social entre os indivíduos, e, consequentemente, um aumento nos casos de depressão nestes espaços. Tal perspectiva, encontra-se relevante até hoje, na medida em que as pessoas que sofrem de enfermidades mentais encontram-se isoladas, sem a perspectiva de auxílio da sociedade. Logo, fica visível como o descaso do coletivo é elemento decisivo para a marginalização dessa minoria.

Ademais, é preciso demonstrar a importância das heranças sociais para a intensificação da estigmatização daqueles que sofrem de mazelas de caráter psíquico. De acordo com Pierre Bourdieu, este panorama está ligado ao conceito de “habitus”, dado que o indivíduo incorpora os pensamentos e preconceitos dos ambientes sociais em que está inserido. Neste contexto, é possível concluir que os rótulos voltados às doenças desta natureza têm origem em construções sociais reafirmadas pelas gerações. Assim, fica nítida a responsabilidade da sociedade civil para dar fim a este ciclo vicioso.       Portanto, é tangível os impactos negativos que a solidão e a discriminação causam sobre os sujeitos com a saúde mental abalada. Dessa forma, urge que o Ministério da Saúde, por meio de uma aliança público-privada, realize uma política de combate ao preconceito à doença mental, criando palestras e materiais publicitários que conscientizem a população para a gravidade deste fenômeno, com o fim de mitigar a estigmatização contra este grupo. Feito isso, será possível criar um país mais saudável e inclusivo, impedindo um final cruel como o vivido por Arthur Fleck.