ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 19/01/2021

Em 1988, com a Constituição federal, a saúde - tanto física, quanto mental - tornou-se um direito de todos os brasileiros. Contudo, o número de brasileiros com depressão e outras doenças e distúrbios mentais é altíssimo, uma vez que a falta de investimento em saúde pública e a pressão familiar e escolar tornam o direito de ter uma mente sã, um privilégio.

Em primeira análise, é válido destacar o desinteresse do Estado quanto à saúde mental da população. Em 2020, por exemplo, durante uma pandemia de Covid-19, o Ministério da Saúde divulgou, em nota oficial, o encerramento do programa de saúde mental no Brasil. Assim, fica evidente que as vidas não são prioritárias aos atuais, uma vez que, sem a assistência pública, outras pessoas que vivem com depressão, ansiedade e diversos outros transtornos mentais, e não possuem condições financeiras para tratar um tratamento, sofrer sofrer por décadas, além de gerar diversas consequências públicas, como o aumento da mortalidade e do número de suicídios.

Dessa forma, não há como negar que o desincentivo do governo, junto à pressão exercida nas escolas, faculdades e locais de trabalho, levam a população à transtornos sem precedentes. Segundo “G1”, em 2019, dois jovens invadiram uma escola, na cidade de Suzano-SP, e assassinaram brutalmente algumas crianças e servidores. Após o atentado, os jovens se suicidaram. Com investigações, a polícia descobriu que os jovens estudaram naquela mesma escola, na qual sofreram bullying de alunos e pressão psicológica de alguns servidores. Com isso, não se transfere a culpa pelos assassinatos, no entanto, agregam-se culpados, dos quais o Estado, com seu desinteresse por vidas, e pessoas ou familiares que causam os estigmas, em decorrência de transtornos mentais, fazem parte.

Tendo em vista, portanto, a inacessibilidade e a privação de direitos no Brasil, cabe ao Ministério da Saúde incentivar a prevenção dos estigmas relacionados à saúde mental, por meio de campanhas que visem informar a sociedade sobre o bullying nas escolas e a pressão psicológica exercida sobre os jovens e adultos, além da construção de clínicas psiquiátricas e investimento maciço em saúde mental. Assim, o direito de ter uma mente saudável abrangerá, de fato, toda a população e a lei, segundo a Constituição federal vigente, será exercida corretamente.