ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 19/01/2021

A partir dos estudos educativos do renomado Paulo Freire, entende-se que o ser humano só progride quando um se mobiliza pelo bem-estar do outro. No entanto, quando se observa o estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira, hodiernamente, verifica-se que esse ideal humanitário encontra-se em estado latente e não desejavelmente ativo, o que é inadmissível. Nesse contexto, deve-se avaliar essa problemática social sob dois vieses: o desemparo de cidadãos pelas instituições de saúde pública e a falta de educação brasileira para lidar com as diversidades.

No âmbito da discussão, vale ressaltar que a estigmatização associada às doenças mentais se deve ao descaso governamental à saúde pública. Isso acontece porque os tratamentos necessários à população não são distribuídos devidamente, seja pela falta de verba ou pela sua escassez, lastimavelmente. Nessa linha de pensamento, o filme “Coringa” apresenta a realidade de um homem que sofre de problemas mentais, mas que foi negligenciado pelo governo, que não só deixou de financiar o hospital público em que ele se consultava, mas também não o deu condições de tratamento, formando de um simples cidadão em um psicopata criminoso, como foi estigmatizado pela sociedade. Desse modo, vê-se a importância que órgãos de gestão governamental – como o Ministério da Saúde – tem na vida das pessoas.

Outrossim, é condição “sine qua non” explicitar que a falta de educação do povo brasileiro, no que tange à inclusão social, agrava a questão da estigmatização associada às doenças mentais. Isso decorre, majoritariamente, da ausência de matérias escolares que ensinem a diversidade humana nas escolas. Sob essa ótica, o educador Paulo Freire disse em seu livro “Pedagogia da Autonomia” que a educação é a convicção de mudança e a aceitação do novo, o que não ocorre no brasil, pois doenças sociais, tal qual a depressão, ainda são estigmatizadas como sinônimo de fraqueza humana, infelizmente. Dessa forma, é imperativo afirmar que as faltas de ensinamentos escolares voltados para o convívio social são impulsionadores dessa problemática.

Dessarte, o estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira está compreendido em duas esferas : desamparo governamental e ausência de educação necessária para essa convivência social. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação e da Saúde, em parceria com empresas de capital privado, investirem verba na construção de hospitais e mantimento dos que já existem, além da criação da matéria “ser social” nas escolas, para trabalhar a questão da aceitação de anormalidades. Tal ação deve ser feita por meio de tributos públicos pagos ao governo e pela redução de impostos das empresas privadas que participarem dessa iniciativa, a fim de ter uma sociedade mais unida.