ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 19/01/2021

A Constituição do Brasil, promulgada em 1988, menciona que a saúde é um direito de todos. Percebe-se, entretanto, que nem sempre existe a plena concretização dessa garantia, principalmente no que concerne ao estigma associado às doenças mentais no país. Nesse contexto, a questão se agrava não só pela falta de informação de considerável parte da população, mas também por inércia estatal.

Em primeira análise, cabe ressaltar que os conhecimentos sobre doenças mentais não são universais. Nesse sentido, segundo pesquisa do portal G1, cerca de um terço do público entrevistado afirma não considerar ansiedade e depressão doenças, o que demonstra, infelizmente, a falta de entendimento da população acerca da seriedade da temática e, por consequência, intensifica o preconceito já enraizado na sociedade em relação a essas enfermidades. Sob essa ótica, é inaceitável não tomar providências, como palestras em escolas e em empresas, com o fito de desconstruir essa mentalidade retrógrada e, assim, tratar as questões de saúde mental com o devido respeito.

Ademais, enfrenta-se, por vezes, a letargia do Estado. Nesse cenário, o economista britânico John Keynes afirmava que a promoção da saúde é um dever estatal e isso, hodiernamente, deve se refletir em políticas públicas eficientes na área de saúde mental, como campanhas informativas nas Unidades Básicas de Saúde, a fim de incentivar o cidadão a buscar ajuda profissional sempre que julgar necessário e, dessa forma, atenuar a discriminação associada às doenças psicológicas. Sob esse prisma, não investir em projetos de combate a esse preconceito vai de encontro à proposta de Keynes, uma vez que evidencia a displicência estatal em lidar com a problemática.

Infere-se, portanto, que o estigma associado às doenças mentais é um entrave no Brasil. Nessa conjuntura, cabe ao governo federal orientar a população sobre a relevância dos cuidados com a saúde mental, por meio de palestras em escolas e em empresas e de campanhas informativas nos postos de saúde, com o auxílio de gestores estaduais e municipais. Espera-se, com isso, enfatizar a importância do bem-estar psicológico e efetivar o direito à saúde previsto na Carta Magna.