ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 19/01/2021

O livro “Holocausto Brasileiro”, de Daniela Arbex, retrata o funcionamento de um manicômio de Barbacena, em meados do século XX, muito marcado por maus-tratos e preconceitos por parte dos funcionários contra os pacientes. Apesar de mais de 50 anos terem se passado desde os acontecimentos do livro, é notável que ainda existe, hoje, um grande estigma social associado às doenças mentais na sociedade brasileira. Sob esse aspecto, cabe discutir as principais causas e possível medida para essa problemática.

Inicialmente, vale destacar que há arraigado no corpo social um forte sentimento de psicofobia – aversão àquele que possui alguma condição psíquica. Segundo o psiquiatra Jairo Bouer, esse preconceito tem origem histórica e mesmo na atualidade, após tantos avanços na área da saúde e na psicologia, ainda é presente no imaginário nacional, criando resistência ao debate sobre o assunto. Vê-se, pois, a inércia do pensamento acrítico brasileiro, marcado pela ignorância e pela perpetuação de preconceitos.

Ademais, ressalta-se que, de modo geral, os brasileiros são pouco informados sobre o assunto, principalmente no ambiente escolar. De acordo com o historiador contemporâneo Roger Chartier, a escola deve servir como ponte para que o Estado possa intervir na formação do indivíduo, até mesmo no sentido de combater preconceitos. Dessa forma, a omissão escolar acerca do assunto é um fator que agrava a atual situação.

Cabe ao Ministério da Educação, portanto, fomentar o debate sobre doenças mentais em ambientes educacionais, por meio de palestras e seminários ministrados por psicólogos e psiquiatras em escolas e universidades, a fim de diminuir o estigma social associado a tais condições, além de combater a psicofobia por meio do diálogo. Espera-se, assim, que comportamentos como os registrados no livro de Daniela Arbex deixem de estar presentes na sociedade brasileira.