ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 19/01/2021
A Constituição Federal de 1988 garante o direito à saúde, ao respeito e ao bem-estar social a todos os cidadãos. Todavia, tal premissa não é efetivada na sociedade brasileira, pois o estigma associado às doenças mentais traz graves danos psicológicos aos indivíduos. Esse cenário nefasto ocorre devido à lacuna no sistema educacional, mas também em razão da má influência midiática. Nesse contexto, vale ressaltar a ineficiência do sistema educacional como uma das causas do problema. A respeito disso, o importante ativista Nelson Mandela afirmava que a educação poderia ser a “arma mais poderosa” para mudar o mundo. Porém, a maioria das escolas no Brasil prioriza um ensino tecnicista – voltado para o mercado de trabalho e para os vestibulares. Em decorrência disso, palestras e aulas extras que abordem sobre o estigma associado às doenças mentais e a importância do respeito a essas pessoas não são apresentadas a muitos estudantes. Consequentemente, a tese de Mandela não pode ser efetivada, porque a educação não garante as informações necessárias para a formação social do estudante brasileiro, que pode prejudicar dolorosamente o psicológico e a interação social dos cidadãos com problemas mentais. Além disso, a má influência midiática é outro fator preocupante para a problemática. Sob essa perspectiva, vale destacar que os veículos de comunicação, desde a ditadura civil-militar no Brasil, sempre foram grandes precursores de persuasão e de enorme alcance da população, mas priorizam somente os lucros. E por causa disso, muitos programas de televisão, influenciadores digitais e propagandas não abordam o tema sobre o estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira, uma vez que esse tipo de conteúdo não é financiado por nenhuma empresa interessada em rendimento financeiro. Por consequência desse panorama lamentável, muitas pessoas, devido à falta de informação, podem ter atitudes desrespeitosas e preconceituosas com indivíduos que possuem problemas psicológicos, o que fere o direito constitucional. Fica evidente, portanto, que medidas são necessárias para atenuar a ineficiência da educação e da mídia. Para tanto, o Ministério da Educação, responsável pela administração educacional do Brasil, deve promover palestras e aulas extras que discutam formas de combater o estigma associado às doenças mentais. Essas ações devem ocorrer por meio dos veículos de comunicação e das escolas, com a participação de vítimas que foram curadas, a fim de minimizar o preconceito com os cidadãos que têm doenças psicológicas. Assim, a premissa garantida pela Constituição Cidadã poderá ser efetivada.