ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 19/01/2021
Trabalho. Casa. Trabalho. Casa. Essa é a rotina da vida de milhões. Em meio a esse ciclo, um fator essencial torna-se marginalizado: a saúde mental. Ademais, a sociedade contemporânea glorifica o lema da produtividade. O indivíduo somente é bonificado se buscar aumento de eficiência, performance ou resultados. Adicionado a esse panorâma, segundo estimativas da OMS, existem 11,5 milhões de brasileiros com depressão. Será que essa engrenagem social não prejudica endemicamente a saúde mental das pessoas?
Segundo o pensador Zygmunt Bauman a resposta é sim. Em inúmeros ensaios filosóficos, Bauman discursa sobre a “sociedade das aparências” ou também chamada de Modernidade Líquida. Onde relações interpessoais promovem o consumismo exacerbado para obter felicidade, o que é um equívoco, já que, comprar nunca será o suficiente, tornando-as, doentes emocionalmente. Dentro deste contexto, o debate deveria focar-se em como atingir satisfação pessoal, tendo em vista a correlação do bem estar mental e a felicidade.
Em seu livro,“Em busca de sentido”, o psiquatra Viktor Frankl ênfatisa a importância de um propósito, seja ele profissional ou familiar. Para isso, ele analisou a psique de prisoneiros de campos de concentração, percebendo, empiricamente que os sobreviventes foram aqueles que visualizaram algum sentido em meio ao chaos, dando um propósito para sua condição. Sendo assim, centralizar sua energia na auto-satisfação , realizar aquilo que o faz feliz, não deve ser estigmatizado mas sim parabenizado.
Portanto, para a concretização de tal sociedade. São necessárias políticas públicas em nível estadual e municipal nas escolas, implementando um novo modelo socio-educativo, este que priorize a subjetividade de cada um, incentiva de maneira criativa a individualidade seja artística, matemática ou humana da criança. Para que um dia alcançemos um coletivo menos doente e muito mais feliz.