ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 21/01/2021
No ano de 1792, o psiquiatra francês Phillipe Pinel descreveu o transtorno depressivo, o qual, na contemporaneidade, afeta cerca de 322 milhões de pessos, segundo a Organização Mundial da Saúde. Ocorre que as doenças mentais, como a depressão, apesar de sua ampla ocorrência na sociedade brasileira, ainda são vistas de forma estigmatizada e preconceituosa por significativa parcela da população, o que representa grave mazela social. Deve-se, destarte, desconstruir os preconceitos, além de valorizar a saúde psicológica.
Diante desse cenário, a existência de estereótipos e estigmas em relação às doenças metais prejudica a identificação e o tratamento de tais síndromes. Nesse sentido, a Geração Ultrarromântica do século XIX via a depressão como forma de amor e a ideação suicida como um modo de escapar da realidade. No entanto, a sentimentalização, pelos românticos, dos transtornos psicológicos fez com que tais enfermidades fossem minimizadas e adicionadas ao ideário popular como forma de fraqueza ou sensação momentânea, o que desincentiva os não sadios mentalmente a procurar ajuda devido à ‘‘vergonha’’ de assumir seu estado. Assim, é incorreto que as doenças mentais, as quais representam severo problema de saúde pública, sejam minimizadas e motivo de piadas por parte da população.
Ademais, o processo de mitigar os estigmas sobre as enfermidades psicológicas deve passar pela valorização da saúde mental. Nesse seguimento, Sigmund Freud, criador da psicanálise, desenvolveu o conceito de ‘‘Mau-Estar Social’’, segundo o qual as excessivas pressões para o êxito em todas as atividades levam à decepção intensa em caso de fracasso, o que poderia desencadear transtornos mentais. Isso revela a fragilidade da saúde mental na atualidade, de modo que essa deve ser buscada constantemente. É incoerente, entretanto, que o bem-estar emocional seja prejudicado pelo medo da derrota, a qual é comum e deveria ser normalizada, bem como a convivência com as doenças mentais, que não deveriam sofrer com estereótipos e preconceitos.
Portanto, para solucionar a problemática dos estigmas ante as doenças mentais, urge que as escolas, promotoras da evolução da mentalidade social, reafirmem a importância da saúde mental e desconstruam estereótipos sobre as enfermidades psicológicas, a fim de reduzir os estigmas sobre tais. Isso poderia ser feito por meio de palestras e oficinas que mostrem a necessidade de cuidado com a mente e o aspecto real dos transtornos mentais, que não devem ser vistos como fraquezas. Dessa maneira, poder-se-á superar as heranças negativas dos românticos , de modo a gerar uma sociedade livre, justa e fraterna.