ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 20/01/2021

A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê o direito ao bem-estar como inerente a todo cidadão brasileiro. Porém, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa o estigma associado às doenças mentais, dificultando, deste modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante desse cenário, é inevitável a análise da ineficácia estatal no tratamento do assunto e a falta de informação como intensificadora da problemática.

Em primeiro lugar, deve-se ressaltar a falta de medidas governamentais para fornecer tratamentos adequados e eficazes para transtornos mentais. Nesse sentido, pessoas que passam pelo sofrimento psíquico não encontram ajuda para enfrentar tal problema e, consequentemente, apresentam dificuldades para estabelecer interações sociais. Essa condição, segundo o jornalista Gilberto Dimestein, configura uma “cidadania de papel”, já que o Estado garante direitos nas normas, mas não os estabelece na realidade. Logo, é inadimissível que esse cenário continue a perdurar.

Além disso, é importante destacar a falta de conhecimento como forma  de acentuar a problemática. Diante desse fato, o livro “1984” de George Owell descreve uma sociedade, em que o “Grande irmão” controla o pensamento da população por meio das mídias. Nessa perspectiva, a falta de campanhas informativas sobre as doenças psiquiátricas favorece a continuidade de pensamentos como: doença mental é frescura — por exemplo. Logo, torna-se árduo reverter tal situação.

Dessa forma, a ineficiência estatal e o desconhecimento corroboram para a perpetuação das cicatrizes deixadas pelos transtornos mentais. Sendo assim, faz-se necessário que o Poder Executivo, em parceria com o Ministério da Educação, promova campanhas informativas sobre as doenças mentais e formas de procurar ajuda . Essa ação pode ser efetivada por meio de vídeos explicativos nas redes sociais, a fim de garantir a universalização do direito ao bem-estar social. Fazendo isso, irá contribuir para um corpo social mais saudável e que a realidade brasileira vá de encontro com a  “cidadania de papel” — proposta por Dimestein.