ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 23/01/2021
A pintura “O Grito”, de Edvard Munch, caracteriza o movimento Expressionista, com seus contornos delirantes que personificam a agonia, a dor e o sofrimento. Nessa lógica, o quadro pode simbolizar uma mente doente, uma vez que amboas capturam o mundo de forma distorcida. Contudo, a percepção das doenças mentais pela sociedade brasileira é marcada por estigma, ou preconceito, o qual piora a qualidade de vida de quem as possui – dificulta o diagnóstico e o tratamento. Assim, faz-se necessária a análise desse problema que impacta a vida social de toda a nação.
A princípio, segundo o médico e escritor Siddhartha Mukherjee, as doenças evoluem em conjunto com a sociedade. Nesse sentido, o impacto na saúde mental pela evolução do mundo contemporâneo, com o surgimento cada vez mais rápido de novas tecnologias, organizações sociais, ideologias confirma a conclusão do autor, visto que, apesar de não serem causa direta, essas mudanças globais potencializam os sentimentos de solidão, não pertencimento, vazio. Ou seja, à medida em que essas transformações ocorrem na sociedade, a intensificação de certas patologias – como depressão, ansiedade, bipolaridade – é o próprio sintoma dessa nova realidade. Logo, é importante saber como lidar com esse cenário, como adaptar-se e moldar-se nele.
Além disso, de acordo com Hans Jonas, é dever da sociedade responsabilizar-se pelo bem-estar próprio e das futuras gerações. Dessa maneira, o estigma associado às doenças mentais confronta o pensamento do filósofo, dado que esse preconceito reflete a resistência da população em respeitar os indivíduos que sofrem com essas patologias. Assim, a forma como essa sociedade enxerga as doenças psicológicas dita a sua atitude a respeito delas, isto é, a aceitação da existência da depressão, por exemplo, como uma patologia real, ao invés de um estado mental passageiro e irrelevante, pode mudar a maneira como os brasileiros lidam com a doença, contribuir para o acolhimento e o tratamento dos pacientes. Com isso, o Princípio da Responsabilidade introduzido por Hans Jonas esclarece o papel da sociedade frente à luta pelo bem-estar de todos os cidadãos.
Portanto, é dever do Estado erradicar o preconceito contra as doenças mentais, por meio do acesso à informação ao público geral e do estímulo a pesquisas nessa área da saúde – com maior destinação de recursos financeiros para instituições brasileiras de saúde, financiamento de cientistas etc. –, a fim de entender essas patologias que afetam a população. Ademais, é importante que as escolas combatam o estigma, através da instrução acerca das patologias psicológicas – como depressão, bipolaridade, entre outras – e do respeito. Dessa forma, será possível acabar com o estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira.