ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 23/01/2021

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 6% dos brasileiros sofrem de depressão. Nesse contexto, disturbios psicológicos não tratados ou sem acompanhamento podem resultar em riscos ao bem-estar da população, como perda de qualidade de vida, fragilização dos laços sociais e familiares, suicídio e atos violentos. Sob essa perspectiva, faz-se imprescindível o debate sobre o estigma associado às patologias mentais no Brasil, suas causas sociais e suas manifestações na contemporaneidade marcada pela cobrança por desempenho e resultados.

Inicialmente, menciona-se que, consoante o filósofo francês Michel Foucault, a sociedade define padrões de pensamento para, em seguida, segregar aqueles que não se enquadram nas regras de comportamento impostas, defenestrando-os para manicômios e os excluindo do convívio coletivo. Dessa forma, a marginalização de pacientes com problemas psicológicos é, historicamente, caracterizada pelo preconceito e pela discriminação. Nesse sentido, ressalta-se que no Brasil só a partir da década de 1940, com o trabalho da médica Nise de Oliveira no hospital psiquiátrico Pedro II no Rio de Janeiro, o tratamento de doenças mentais passou a ser feito de forma humanizada com foco em técnicas não invasivas como o uso de arte e música para acalmar internados agitados.

Adicionalmente, destaca-se a busca incessante pela produtividade como uma das causas da estigmatização daqueles que sofrem com depressão ou ansiedade, por exemplo. Dessa maneira, de acordo com o pensador Byong-chul Han, vive-se na sociedade do cansaço, na qual a necessidade constante de demonstrar felicidade, autenticidade, inovação e resultados gera doenças neuronais, sentimentos de culpa e preconceito contra aqueles que não conseguem viver por esses critérios inatingíveis. Diante disso, tais pessoas são classificadas como fracassadas ou preguiçosas, o que, por sua vez, retroalimenta o sofrimento mental e desestimula a busca de ajuda psiquiátrica por quem necessita.

Diante do exposto, percebe-se a falta de debate amplo sobre as doenças mentais no Brasil. Nesse contexto, com o objetivo de conscientizar a população da importância do cuidado e do tratamento humanizado e sem preconceitos das enfermidades neurológicas, faz-se mister ações do Poder público por meio de campanhas publicitárias difundidas por parcerias com os meios de comunicação e as associações de psicologia e psiquiatria. Destarte, tais doenças serão desmistificadas e melhor entendidas pela público em geral, diminuindo a segregação e a discriminação.