ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 25/01/2021
Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 86% dos brasileiros possuem algum tipo de transtorno psicológicos. Posto tal fato, evidencia-se a abrangência dessas enfermidades neurológicas no âmbito nacional. Contudo, apesar de acometer muitos indivíduos, ainda há estigmas associados as doenças mentais na sociedade canarinha. Diante disso, ao possuir preconceitos relacionados a essas patologias, principalmente devido à falta de informações sobre o tema, esse impasse não tende ao arrefecimento, gerando assim a manutenção e o aumento dessas enfermidades. Dessa forma, faz-se necessário expor a questão e suas adversidades.
Deve-se pontuar, de início, que a ausência de sapiência referente a esse panorama precariza a situação. Nessa perspectiva, consoante o iluminista Voltaire, " preconceito é opinião sem conhecimento". À vista disso, dada a insuficiência de debates e a exposição incipiente das causas e dos efeitos dessas doenças, o tabu social persiste e inviabiliza a busca por ajuda, devido ao estigma existente. A título de exemplo, conforme o Data SUS, apesar de haver mais de 178 milhões de enfermos mentais, menos da metade deles busca ajuda, dado o estigma vigente. Sendo assim, é essencial ampliar o conhecimento populacional e para amenizar o empecilho.
Ademais, tal paradigma proporciona graves consequências. Nesse contexto, o fato social, de acordo com o sociólogo Émille Durkheim, é exterior e coercitivo ao indivíduo. Por conseguinte, em razão desse preconceito, muitos cidadãos, além de não solicitarem suporte, podem desencadear pioras nos quadros clínicos , o que põe em risco a vida deles. Prova disso, em consonância com a Organização Mundial da Saúde, é mais de da metade dos suicídios serem desencadeados pela depressão, seja ela branda ou aguda. Desse modo, é imprescindível estabelecer ações que ajudem os enfermos para mitigar esse contratempo.
É mister, portanto, viabilizar conjunturas que desfaçam estereótipos consolidados e deem apoio aos necessitados. Nesse sentido, o Ministério da Saúde deve promover debates em escolas, empresas e mídias, ampliação dos espaços de tratamento e de profissionais capacitados. Isso deve ser feito por meio da presença de psicólogos e médicos, com o intuito de arrefecer os estigmas existentes, de sanar dúvidas sobre a temática e de expor os canais de ajuda. Além disso, deve-se expandir a presença dos Centros de Atenção Psicossociais, os quais são responsáveis pelo tratamento dessas doenças, e de colaboradores competentes, a fim de ajudar as vítimas. Dessarte, os dados expostos pelo Ministério da Saúde poderão ser minimizados e o estigma combatido.