ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 25/01/2021

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que observa-se na sociedade contemporânea é o oposto do que o autor expõe, visto que são notórios estigmas associados às doenças mentais no país. Nesse contexto, é relevante analisar as causas que contribuem para tal realidade, bem como os efeitos de sua propagação no cenário atual.

Em primeira análise, é inquestionável que o preconceito da sociedade esteja entre as causas principais do problema. Consoante o físico Albert Einstein, é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito. De maneira análoga, é possível perceber que a descriminação existente na sociedade brasileira ainda é um entrave, uma vez que, quando um indivíduo manifesta-se como portador de transtorno mental, logo é rotulado como “doido”. Com isso, grande parte dessas pessoas optam pelo silêncio e não procuram ajuda profissional, agravando, assim, o problema.

Outrossim, o baixo investimento do Estado em relação à saúde mental intensifica a problemática. Nesse sentido, a Constituição Federal de 1988, maior documento jurídico do país, traz uma relevante contribuição ao elencar inúmeros direitos aos cidadãos, dentre eles, o da saúde. Entretanto, na prática, tal garantia é deturpada, haja vista que embora existam profissionais - especialistas em saúde mental - cadastrados no Sistema Único de Saúde, ainda há uma grande demanda por eles, principalmente em cidades do interior do país. Logo, desestimula a busca da população por tais recursos, e o problema tem sua intervenção dificultada.

Torna-se evidente, portanto, a necessidade de solucionar os desafios relacionados à saúde mental no país. Para isso, é imprescindível que o Ministério da Educação, órgão especializado na gestão da educação no país, insira na Matriz Curricular - do ensino fundamental e médio - disciplinas associadas à prevenção e importância do debate acerca dos transtornos psicossomáticos, por meio de palestras - na presença de psicólogos -, a fim de incentivar e naturalizar a procura por bons profissionais à medida que sentirem dificuldades em lidar com suas emoções. Ademais, o Governo deve investir na contratação de psiquiatras e profissionais da psicologia em toda as Unidades Básicas de Saúde (UBS), com ênfase em cidades interioranas. Dessa forma, a coletividade alcançará a Utopia de More.