ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 26/01/2021

Durante a Grécia Antiga, os indivíduos que nasciam com alguma doença física ou mental eram considerados inativos pela sociedade e, consequentemente, eram eliminados do corpo social. Nesse sentido, atualmente, os problemas gerados pela exclusão dos portadores de doenças mentais ferem não somente preceitos morais, mas também constitucionais estabelecidos pela Carta Magna do país. Desse modo, não há dúvidas de que os estigmas associados às doenças mentais são um desafio no Brasil, o qual ocorre devido não só aos preconceitos adquiridos contra os portadores desses transtornos, como também às negligências governamentais no acesso as informações sobre essas doenças.

Incialmente, é patente ressaltar que os tratamentos das doenças mentais, geralmente, não acontecem de maneira correta e eficaz, ao passo que a propagação de conceitos pré-estabelecidos, que, por exemplo: os portadores de doenças mentais são loucos, inativos e perigosos, dificulta essa ação. Nesse viés, o termo violência simbólica do sociólogo Pierre Bourdiou, que inclui os comportamentos não necessariamente agressivos, excluem moralmente grupos minoritários, como pessoas com ansiedade, depressão e transtorno bipolar. Sendo assim, a exclusão desses indivíduos no ambiente escolar, no grupo de amigos e na sociedade trabalhista, confirma a teoria de Pierre e limita esses cidadãos na participação do corpo social.

Adicionalmente, a maneira como as autoridades públicas agem no combate e controle das doenças psíquicas são de suma importância para a resolução desse problema de saúde. Nessa conjuntura, a Constituição Federal de 1988 garante o direito à saúde como um pressuposto para melhores qualidades de vida. Entretanto, é evidente que os escassos investimentos governamentais no processo de cura dos transtornos mentais, seja na pouca informação que combatam os conceitos errados adquiridos pela sociedade contra as doenças e os portadores, seja em poucos projetos de saúde pública que informem as etapas necessárias para a cura dessas enfermidades, colaboram para problemática do estigma e agravam as consequências negativas para os doentes mentais.

Portanto, com o objetivo de garantir o combate e controle das doenças mentais e melhores condições de vida aos portadores, o Ministério da Saúde, em parceira com as Secretarias Estaduais e Municipais, deve elaborar projetos de saúde pública, em que sejam transmitidas as informações corretas sobre qualquer doença mental e que orientem de forma injuntiva os portadores a buscarem ajuda. Isso deve ser feito por meio de verbas governamentais, nas quais essa ação seja realizada em mídias sociais, televisão, rádio e em postos de saúde.